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agosto 2016

Redes sociais e a aprendizagem colaborativa

Mais de 12 milhões de brasileiros acessam ferramentas de educação pela Internet, segundo dados do Aprenda Online, plataforma construída pela Fundação Lemann, organização sem fins lucrativos que visa apoiar e desenvolver projetos inovadores na área de educação.

Entre ferramentas educativas nacionalmente conhecidas e utilizadas para difusão de conhecimento como a página YouTube Edu com videoaulas e simulados, Khan Academy, maior site de matemática do mundo com exercícios e vídeos de instrução proporcionando suporte ao aprendizado do estudante e a Coursera, plataforma online e aberta que oferece cursos de instituições como a Universidade de São Paulo e Universidade de Campinas,  surgem redes sociais de aprendizagem colaborativa.

Aprendendo em conjunto: processos e personagens dentro das redes sociais

Propondo a construção coletiva de conhecimento, a aprendizagem colaborativa pressupõe uma interação entre os indivíduos dentro do ciberespaço. Corroborando com o princípio do capital social, essa forma de aprendizagem estrutura-se pela utilização de um conjunto de recursos por parte de um grupo baseando-se na reciprocidade e desencadeando em um consenso, observado no caso, através do conteúdo gerado.

Dentro desse processo o indivíduo atua como agente. Esses indivíduos envolvidos na rede analisada são chamados de atores, ou seja, pessoas que utilizam-se dessas programas educativos e estão presentes no ciberespaço através de representações dos atores sociais. Com ferramentas que exploram a construção identitatária de cada pessoa, essas representações possibilitam a expressão de elementos individuais característicos e a expressão do seu pensamento na Internet.

Ubuntu

Lançado no dia 10 de dezembro de 2015, dia internacional dos direitos humanos, a rede social Ubuntu é uma rede colaborativa com o objetivo de conectar pessoas através da colaboração e multiplicação de ideias. Proposto pelo Desabafo Social, coletivo soteropolitano que trabalha com educação e comunicação em direitos humanos com jovens e adolescentes, a rede permite a cocriação de conteúdo através da wiki (páginas interligadas que podem ser visualizadas e editadas por qualquer pessoa), biblioteca online, divisão de tarefas e calendário.

A rede social, além de permitir a construção de perfis e páginas correlatas com os gostos dos seus proprietários, possibilita a interação social entre os atores e a publicação de opiniões e conhecimento. “Ubuntu é uma rede de aprendizagem colaborativa onde as pessoas podem compartilhar aquilo que sabem e aprender aquilo que desejam”, afirma Monique Evelle, graduando no Bacharelado Interdisciplinar em Humanidades com ênfase em Política e Gestão da Cultura pela Universidade Federal da Bahia e fundadora do Desabafo Social.

A interação social, no âmbito do ciberespaço, pode dar-se de maneira síncrona, com simulação de interação em tempo real, ou assíncrona, sem expectativa de resposta imediata, como aponta Raquel Recuero, jornalista, professora e pesquisadora do Programa de Pós-graduação em Letras e do curso de Comunicação Social da Universidade Católica de Pelotas no livro Redes Sociais na Internet.

Dessa forma, podemos presumir a importância da permanência do conteúdo publicado através das páginas ou perfis pessoais nas interações sociais cibernéticas. Assim, os comentários, como exemplo figurativo de ferramentas, continuam nas plataformas até que sejam apagados pelos atores autorizados a administração do conteúdo.

Segundo Recuero, as interações podem ainda acontecer de forma mútua no qual cada integrante participa da construção da relação afetando-se mutuamente, ou reativas, limitadas por relações de estímulo e resposta, como acontece quando um ator clica em um hiperlink ou simplesmente segue uma pessoa na rede social.

“As pessoas seguem umas as outras de acordo com suas áreas de interesse. Ou seja, eu quero aprender mais sobre história do Brasil, então seguirei uma pessoa que está disposta a passar esse conhecimento”, aponta Monique sobre a dinâmica da rede.

Assim, as interações na rede social, podem ser acadêmicas, pessoais ou profissionais, gerando relações variadas através da troca de diversos tipos de informação em diferentes tempos e espaços. No caso da rede social Ubuntu, além de fomentar a conexão entre as pessoas, essas interações também cumprem com o objetivo de construir e compartilhar conhecimento online e em conjunto.

Referências: 

Artigo A Aprendizagem Colaborativa no Ensino Virtual

Desabafo Social

Ministério da Educação

Redes Sociais na Internet, Porto Alegre, Sulina, 2009.

Ubuntu

Narrativa transmídia e as perspectivas na educação

Desde de que o homem começou a se comunicar a narrativa tornou-se um marco na evolução. Contar histórias, fatos e acontecimentos sempre fez parte do cotidiano do ser humano, sobretudo pela oralidade. O advento de novas tecnologias trouxeram reforço na arte de contar histórias, primeiro com a escrita, rádio e posteriormente o cinema. Atualmente a narrativa se reconfigura estando presente em várias plataformas ao mesmo tempo, sendo que uma complementa o entendimento da outra, na chamada narrativa trasnmídia.

 

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A narrativa transmídia segue a lógica de contar histórias (storytellers), porém foge do convencional e é dividida em fragmentos encontrada em outras mídias / plataformas como em games, web, filmes, livros, quadrinhos, DVD.  Henry Jenkins no seu livro Cultura da Convergência se debruça sobre o tema fazendo uma análise do filme Matrix, o filme possuí elementos que só farão sentido quando levado para outros campos, como games, web e DVD. Na obra Jenkins afirma que o filme é uma narrativa trasmídia. “Uma narrativa transmídia desenrola-se através de múltiplas plataformas de mídia, com cada novo texto contribuindo de maneira distinta e valiosa para o todo”. (Jenkins , 2009).

Henry Jenkins sobre a Cultura da Convergência e a narrativa transmídia.

No contexto educacional a narrativa transmídia pode encontra-se na relação com as novas mídias, sobretudo em Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA), no intuito de se pensar em novas potencialidades que ultrapassem os limites físicos da sala de aula, em função de ser uma extensão do conteúdo trabalhado em sala. Daí a importância do docente instruir seus alunos no uso da internet como instrumento de aprendizado complementar, a partir de “pistas” e direcionamentos sobre o que buscar na web na construção do todo que é o conhecimento a capacidade crítica.

Nesse sentido segundo Moran “a Internet abre um horizonte inimaginável de opções para implementação de cursos a distância, de flexibilização dos presenciais e de inovação na sua avaliação. (…) Em poucos anos, dificilmente teremos um curso totalmente presencial”.

 

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Fonte: Site Moodle UFBA

 

A criação de novos modelos que constituem narrativas transmídias na educação como a utilização de materiais de investigação, que sejam de domínio público ou divulgados sob licença aberta que autorize o acesso são modelos que contribuem com êxito educacional. Estes são os Recursos Educacionais Abertos (REA), baseado no conceito de “conteúdo aberto” de David Wiley, de 1998. Um ótimo exemplo é a plataforma Creative Commons (https://br.creativecommons.org/) que permite a o uso, compartilhamento de conteúdo fotos, textos, vídeos através licenças jurídicas e gratuitas. Importanteo o professor saber direcionar o aluno, assim como os produtores de Matrix, dando pistas para que o aluno busque informações em outras mídias.

Um exemplo prático é o método de classe invertida “flipped/inverted classroom”, numa experiência realizada pelo professor André Lemos na disciplina Comunicação e Tecnologia COM 104 da Faculdade de comunicação da UFBA no ano de 2014. “A inversão consiste em fazer os trabalhos e tarefas em sala de aula e acessar material de aula em casa. O objetivo da experiência foi fazer uma adaptação da metodologia, mesclando elementos de aula expositiva com elementos utilizados em algumas experiências em classe invertida no mundo para aumentar a participação dos alunos e fazer das aulas algo mais interessante e produtivo.”  (LEMOS; PERL 2015). Esse trabalho resultou num produto, um blog temático onde os alunos divididos em equipe precisam se engajar na produção de conteúdo para a plataforma. O processo de transmídia no aprendizado se dava justamente na busca em sites, fotos, vídeos, outros textos e links na construção do post semanal.

No artigo Narrativas transmídias e sua potencialidade na educação aberta, os autores Vicente Gosciola e Andrea Versuti fazem um estudo sobre Harry Potter e sugerem a atividade de coaprendizagem propondo aos alunos a redação de uma fanfic e sua extensão para um projeto de transmídia, de forma colaborativa usando ferramentas da internet como o google docs. “E podemos solicitar que produzam um vídeo a partir de imagens dos personagens, editando-o de acordo com as novas versões da “estória” criada.” (GOSCIOLA; VERSUTI).

Descrição: Fanfiction em animação para um final alternativo à história de Harry Potter

 

É importante observar como as novas tecnologias são revolucionarias para a sociedade, em todos os âmbitos, inclusive na educação. Bem como observar como o conceito de narrativa transmídia definido por Henry Jenkins pode contribuir nos processos do sistema educacional. Cabe ao docente enxergar essas potencialidades para que se possa aplicar com total efetividade aos seus alunos.

 

 

Referências

GOSCIOLA, Vicente; VERSUTI, Andrea. Narrativas transmídias e sua potencialidade na educação aberta. Open Educational Resources and Social Networks. Disponível em < http://oer.kmi.open.ac.uk/?page_id=428#.V7emsFQrLIX>. Acesso em: 19 ago. 2016.

Recursos Educacionais Abertos. Conceito. Disponível em: <http://www.rea.net.br/site/conceito/&gt;. Acesso em: 19 ago. 2016.

JENKINS, H. Em busca do unicórnio de origami: Matrix e a narrativa transmídia.  Cultura da Convergência, RJ. Aleph, 2009.

LEMOS, André; PERL, Lara. Comunicação e Tecnologia Uma experiência de “Sala de Aula Invertida”. Comunicação e Educação: Revista do Departamento de Comunicação e Artes da ECA/USP. Disponível em < http://www.revistas.usp.br/comueduc/article/view/84709/96731>. Acesso em: 19 ago. 2016.

MORAN, J.M. O que aprendi em cursos semipresenciais. In: Silva, M., Santos, E. (orgs). Avaliação da aprendizagem em educação online. SP: Loyola, 2006.

 

http://www.moodle.ufba.br//#

https://br.creativecommons.org/

https://www.youtube.com/watch?v=bV8C3q0DIYI

 

Novas mídias e a educação: A reconfiguração do aprendizado.

Vivemos em tempos de mudanças constantes. O mundo, cada vez mais dotado de tecnologia, é surpreendido frequentemente com novos aparatos tecnológicos que possibilitam a interação entre o homem e as novas mídias. Por conta dessas mudanças podemos dizer que é uma evolução natural a integração das tecnologias da informação e comunicação nas escolas a fim de possibilitar uma maior interação entre professores/alunos e o novo padrão de aprendizado no nosso cotidiano.

Vimos na postagem anterior que as redes tem um importante significado para a educação, pois possibilitam para a aprendizagem, através das conexões das redes, o acesso a textos e conteúdos de autores disponíveis na web. Com a reconfiguração, as novas mídias trazem consigo possibilidades inovadoras para a educação. A exemplo, citamos os livros digitais (eBook) que possibilitam o armazenamento de diversos conteúdos e assuntos em um único dispositivo, dando lugar a uma espécie de biblioteca virtual.

O desafio das novas mídias no âmbito da educação é justamente fazer com que esses novos aparatos tecnológicos sejam utilizados, por alunos, de maneira adequada e produtiva, gerando assim um aprendizado interativo. Em 27 de Novembro de 2014 um Registro fotográfico do Jornalista holandês Gijsbert Van Der Wal, no Rijksmuseum, causou polêmica ao registrar jovens supostamente ignorando a obra de arte Ronda Noturna de Rembrandt (pintada entre 1640 e 1642) e conectados ao aparelho celular. A principio existe na imagem obviamente a dispersão dos jovens, porém outra análise foi elaborada e pensou-se até mesmo a ideia de que os jovens estavam, na verdade, interagindo com a obra elaborando uma pesquisa sobre a mesma, Já que o museu é famoso por disponibilizar rede Wifi para que os visitantes interajam com as obras de arte utilizando as novas mídias, enriquecendo assim o aprendizado.

 

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Obra de arte Ronda Noturna de Rembrandt, Rijksmuseum.

 

O autor Henry Jenkins esclarece que a convergência é caracterizada pelo poder de conseguir “definir transformações tecnológicas, mercadológicas, culturais e sociais, dependendo de quem está falando e do que imaginam estar falando” (Cultura da convergência- Um novo paradigma para entender a transformação midiática).

Como exemplificado no texto, os celulares se tornaram fundamentais no processo de convergência das mídias. Basta pensarmos nas inúmeras modificações que aconteceram com o aparelho celular com o passar do tempo. Antes com o foco principal em efetuar e receber ligações e o envio de mensagens de texto, hoje nos aparelhos celulares podemos ter acesso a diversas ferramentas e funções como: câmeras, filmadoras, games, mp3, acesso a internet, entre outros. E uma novidade recente é a utilização de aparelhos celulares utilizados na estratégia de lançamento de filmes comerciais. Essa experiência muito tem haver com a cultura da divergência que aparece eficaz cada vez mais na sociedade devido as mudanças constantes do mercado midiático.

A grande questão é: Os novos meios de comunicação irão excluir os antigos? O que acontece, na verdade, é o processo de reconfiguração. As novas mídias reconfiguram também o método de aprendizagem nas escolas e universidades. Na sala de aula o modo tradicional de ensino, que antes se resumia ao quadro de lousa, cede espaço para as novas mídias que tem como objetivo aperfeiçoar os conteúdos ensinados como, por exemplo, o uso da internet para a pesquisa. Como podemos ver no vídeo acima, as mídias digitais passam a ser utilizadas para apresentação de seminários e assim incentivar, por exemplo, uma pesquisa mais ampla do que a habitual, aprofundando o conhecimento do estudante. O que o paradigma da convergência sugere é que as novas e antigas mídias irão interagir de forma cada vez mais complexas.

No mundo da convergência As mídias passam por um processo de estratégias empresariais que visam compreender a necessidade de criação de novos artifícios que transforme ou complemente as mídias já existentes. Na educação não é diferente, os novos artifícios tendem sempre a somar, a ser visto de maneira positiva para o ensino.

Na educação, a rede é um importante mecanismo de ensino e aprendizagem. Interligamo-nos em uma extensa rede com pessoas dos bairros e ruas próximas, das cidades e até países distantes. Os estudantes hoje, através das conexões das redes pertencentes, podem ter contato com conteúdos de diversos autores por meio de seus textos disponibilizados na web, com vídeos explicativos de temas das aulas, e pode interagir com os próprios colegas e professores através de redes sociais, por meio de grupos de estudos virtuais.

A modernização nas salas de aulas através do uso de novas tecnologias pode ser adaptada para a diversidade de alunos que adentram nela, assim como diversos níveis de aprendizagem e é sempre mais eficaz o seu retorno. Aulas que se utilizam da teleinformática tem um maior sucesso com alunos e disputam menos a atenção com a utilização para outras finalidades que não sejam educacionais dentro da sala de aula. Virtualizar conteúdos também é uma forma de dinamizar aulas. Porém, para que haja possibilidades nesse uso é importante que a revolução seja além da tecnológica nas escolas, mas sim uma revolução na capacitação de alguns docentes, que ainda não captaram que a educação e as novas mídias estão caminhando cada vez mais lado a lado em nossa sociedade.

 

Referências:

Lemos, André. Cibercultura como território recombinante. P 38-46

Jenkins, H. Cultura da convergência. São Paulo: Aleph, 2009. P 25-51. (Introdução).

http://acervo.estadao.com.br/noticias/acervo,celular-em-museu-indignacao-na-internet,11180,0.htm , acesso em 11 de Agosto de 2016

https://www.youtube.com/watch?v=v4WkMigs2pw, acessado em 12 de Agosto de 2016.

A Rede, Tecnologia e Educação

Projeto-Iranduba

O termo “rede” foi concebido desde a Antiguidade, associado à metáfora do organismo, em que “todas as veias se comunicam e escoam de umas para as outras”. No século XII o termo ganha uma nova conotação com referência a malhagem têxtil que envolve o corpo.  René-Just Haüy, no século XVIII conceitua rede como um cristal, uma reunião de pequenos poliedros iguais entre si e unidos por suas faces, desdobrando um convite para  criação de uma ciência das redes. No mesmo século, Descartes e Leibniz afirmam que a rede se torna um modelo de racionalidade em que a matemática é percussora.

Saint-Simon, por sua vez, iniciou o conceito de rede por meio de sua filosofia “que visa a construção de uma religião compreendida em seu sentido etimológico de metaligação social (re-ligare), espécie de religião ‘racional’.” Saint-Simon criou a definição subdividindo o organismo em duas categorias: o corpo bruto e o corpo organizado. O corpo bruto funcionaria como um filtro que deixa passar lentamente fluidos a fim de impedir a entrada de sólidos, já o corpo organizado seria uma rede que somente perpassa os fluidos.

Simon explicou em sua descrição que um corpo organizado é bem estruturado, com redes compostas de canais que intercruzam-se. Quanto mais uma sociedade está organizada e sua organização interna for composta de redes, um número maior de redes de comunicação são estabelecidas no território, e se tornam objetivo de utilidade pública. Simon teve como objetivo desde o início contribuir com uma definição de circulação na rede como condição da mudança social.

Diferente de Saint-Simon, Michel Chevalier conceituou rede como um objeto-símbolo: “a rede técnica produz, por ela mesma, mudança social”, pois permite a democratização, a comunhão e a circulação igualitária dos homens através da comunicação. A redução geográfica das distâncias físicas, por exemplo, através das tecnologias da comunicação, diminuiu  distâncias sociais.

Dentre tantas definições o conceito de rede eclode como uma “estrutura de interconexão instável, composta de elementos em interação e cuja variabilidade obedece a alguma regra de funcionamento”.  A rede possibilita um mundo em que  vínculo, transição e passagem estão presente constantemente em tudo. Ela desterritorializa e reterritorializa e cria um tempo curto para disseminação de informações.

Na educação, a rede é uma importante mecanismo de ensino e aprendizagem. Interligamos-nos em uma extensa rede com pessoas do bairros e ruas próximas, cidades, países distantes. Os estudantes hoje, através das conexões das redes pertencentes, podem ter contato com conteúdos de diversos autores por meio de seus textos disponibilizados na web, com vídeos explicativos de temas das aulas, e pode interagir com os próprios colegas e professores através de redes sociais, por meio de grupos de estudos. A educação a distância, por exemplo, é uma grande rede de professores, tutores, gestores, estudantes e um mundo de informações fornecidas virtualmente, presencialmente e por web. Entretanto existem questionamentos sobre o uso das tecnologias digitais como produtor dessas grandes redes no âmbito educacional. A tecnologia contribui ou não na educação? Ela extermina antigas formas de ensino/ estudos? Segundo o Jean-Louis Weissberg, a maioria dos pensamentos da mudança causada pela teleinformática (junção da telecomunicação com a informática) “não fazem senão reeditar, prolongando mecanicamente, os efeitos das revoluções tecnológicas anteriores.” Um exemplo dessa afirmação é o uso de livro impresso.  Ele cria uma cultura de organização e localização, mas, com o advento de inovações tecnológicas novas formas de leitura do conteúdo do mesmo livro em forma digital foram difundidas. Ainda assim, a existência de hipermidiação e da programática (organização das atividades sociais por programa informáticos) não tem como objetivo extinguir a importância das tecnologias anteriores e sim a hibridização entre culturas anteriores e atuais.  A leitura de livro  impresso ou conteúdos escolares em papel, assim como coa leitura em computadores são formas que coexistem e sustentam-se.

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Leitor virtual. Imagem: reprodução.

A rede não dissolve a noção de lugar, mas a modifica, misturando unipresença física e pluripresença mediatizada. Jacques Perriault, em seu estudo sobre a educação a distância exemplifica isso: “contrariamente ao que foi feito no passado, esses sistemas não mais contrapõem presença e distância, senão integram os dois.” Para ele, é  importante a manutenção de formulas mistas que associam educação a distancia e encontros presenciais. Os estudantes a distância entram em contatos com seus colegas por meio de grupos interativos, assim como encontros presenciais, além de terem tutores para suprimir dúvidas presencialmente e a distância.

A educação presencial também emprega bastante o uso de novas tecnologias para melhoria no ensino. Atualmente os professores comunicam-se com os alunos por via de textos de e-mail, utilizam slides e atualizam seus conteúdos de forma dinâmica. Os alunos, por sua vez,  tem um leque de informações disponibilizadas via web, podem fazer reuniões de grupos de trabalho via redes sociais, podem construir trabalhos em equipe a distância através de vídeo chamadas e documentos compartilhados. A noção de espaço e tempo para produção de conteúdos são modificadas , pois podemos nos conectar em qualquer lugar, a qualquer momento. A atual geração constrói um mundo virtual.

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Demonstração do uso do HoloLens, da Microsoft, para ensino de Medicina (Imagem: Reprodução)

O mundo Virtual, segundo Pierre Lévy, um processo de resolução de atualização” é a criação, a invenção de uma forma a partir de uma configuração dinâmica de forças e finalidades”. O virtual é o “vir a existir” a partir desse processo de resolução. O virtual permite aos estudantes visitarem lugares distantes que jamais conheceram, permite conhecer livros, artes, culturas inacessíveis, permite que as pessoas se informem sobre acontecimentos de lugares nunca vistos, permite conhecer a história de povos e viajar a milhares de anos, e não só por meio de aulas ou vídeos e fotos, mas através da manipulação e análise virtual do objeto do estudo, por experiência interativas. Um exemplo é o Google Expeditions, uma ferramenta de realidade virtual que por meio do uso de smartphones e um Google Cardboard, um óculos feito de papelão, os estudantes podem visitar virtualmente qualquer lugar do mundo.

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Alunos visitam localidades do mundo através do Google Expeditions. Fonte: foto de divulgação.

A ideia de virtualização, que Pierre define como  “passagem do atual ao virtual”, na construção de uma melhor educação, é buscar uma forma de permitir a interação dos alunos com a informação, possibilitando  que eles explorem os dados na tela . A virtualização tem como característica, o desprendimento do “aqui e agora”, e torna assim um meio de interações sociais em que as relações se reconfiguram de forma desterritorializada, como as aulas virtuais no Ambiente Virtual de Ensino (AVA).

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Uso de novas tecnologias em sala de aula Fonte: foto de divulgação.

A utilização de forma correta de novas tecnologias pode e já começou a revolucionar a educação, tanto para os estudantes, como para o desenvolvimento profissional dos docentes. Na atualidade e no contexto escolar inserido, é impossível a não utilização de tecnologias para contribuição no ensino. Cadernos e pilhas de textos impressos foram substituídos por tablets e notebooks,  smartphones, que facilitam o cotidiano dos discentes, assim como, no viés do professor,  simplificam o fechamento de notas, preparação de aulas, controle de presença, provas podem ser confeccionadas com o uso de de editores de texto em smarthphones, em qualquer lugar e momento.

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Professor atualiza sua forma de ensino com o tablet em sala de aula.

A modernização nas salas de aulas através do uso de novas tecnologias pode ser adaptada para a diversidade de alunos que adentram nela, assim como diversos níveis de aprendizagem e é mais eficaz o retorno. Aulas que se utilizam da teleinformática tem um maior sucesso com alunos e disputam menos a atenção com o uso dela para outras finalidades, que não o ensino em sala de aula. Virtualizar conteúdos também é uma forma de dinamizar aulas. Porém, para que haja possibilidades nesse uso é importante, que a revolução seja além da tecnológica nas escolas, mas sim uma revolução na capacitação docente, que ainda resiste a essas nova forma de ensino.

 

REFERÊNCIAS:

MUSSO, Pierre. A filosofia da rede. In: PARENTE, André (Org.). Tramas da rede. Porto Alegre

PARENTE André,2004, apud, WEISSBERG Jean.

LEVY, Pierre. O que é o virtual. São Paulo: Ed. 34, 1996.

https://brasil.googleblog.com/2015/11/google-expeditions-realidade-virtual.html, acesso em 03 de agosto, às 20:07.

http://ftp.udesc.br/~r4al/ti760.htm, acesso em 04 de agosto, às 21:32.

https://loja.grupoa.com.br/revista-patio/artigo/5945/o-uso-das-tecnologias-na-educacao.aspx, acesso em 03 de agosto, às 21:02.

http://grv.inf.pucrs.br/tutorials/rv_educa/index.htm, acesso em 5 de agosto, às 19:37.

http://deviante.com.br/noticias/quando-realidade-virtual-encontra-educacao/, acesso em 04 de agosto, às 23:15.

 

 

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