Mais de 12 milhões de brasileiros acessam ferramentas de educação pela Internet, segundo dados do Aprenda Online, plataforma construída pela Fundação Lemann, organização sem fins lucrativos que visa apoiar e desenvolver projetos inovadores na área de educação.

Entre ferramentas educativas nacionalmente conhecidas e utilizadas para difusão de conhecimento como a página YouTube Edu com videoaulas e simulados, Khan Academy, maior site de matemática do mundo com exercícios e vídeos de instrução proporcionando suporte ao aprendizado do estudante e a Coursera, plataforma online e aberta que oferece cursos de instituições como a Universidade de São Paulo e Universidade de Campinas,  surgem redes sociais de aprendizagem colaborativa.

Aprendendo em conjunto: processos e personagens dentro das redes sociais

Propondo a construção coletiva de conhecimento, a aprendizagem colaborativa pressupõe uma interação entre os indivíduos dentro do ciberespaço. Corroborando com o princípio do capital social, essa forma de aprendizagem estrutura-se pela utilização de um conjunto de recursos por parte de um grupo baseando-se na reciprocidade e desencadeando em um consenso, observado no caso, através do conteúdo gerado.

Dentro desse processo o indivíduo atua como agente. Esses indivíduos envolvidos na rede analisada são chamados de atores, ou seja, pessoas que utilizam-se dessas programas educativos e estão presentes no ciberespaço através de representações dos atores sociais. Com ferramentas que exploram a construção identitatária de cada pessoa, essas representações possibilitam a expressão de elementos individuais característicos e a expressão do seu pensamento na Internet.

Ubuntu

Lançado no dia 10 de dezembro de 2015, dia internacional dos direitos humanos, a rede social Ubuntu é uma rede colaborativa com o objetivo de conectar pessoas através da colaboração e multiplicação de ideias. Proposto pelo Desabafo Social, coletivo soteropolitano que trabalha com educação e comunicação em direitos humanos com jovens e adolescentes, a rede permite a cocriação de conteúdo através da wiki (páginas interligadas que podem ser visualizadas e editadas por qualquer pessoa), biblioteca online, divisão de tarefas e calendário.

A rede social, além de permitir a construção de perfis e páginas correlatas com os gostos dos seus proprietários, possibilita a interação social entre os atores e a publicação de opiniões e conhecimento. “Ubuntu é uma rede de aprendizagem colaborativa onde as pessoas podem compartilhar aquilo que sabem e aprender aquilo que desejam”, afirma Monique Evelle, graduando no Bacharelado Interdisciplinar em Humanidades com ênfase em Política e Gestão da Cultura pela Universidade Federal da Bahia e fundadora do Desabafo Social.

A interação social, no âmbito do ciberespaço, pode dar-se de maneira síncrona, com simulação de interação em tempo real, ou assíncrona, sem expectativa de resposta imediata, como aponta Raquel Recuero, jornalista, professora e pesquisadora do Programa de Pós-graduação em Letras e do curso de Comunicação Social da Universidade Católica de Pelotas no livro Redes Sociais na Internet.

Dessa forma, podemos presumir a importância da permanência do conteúdo publicado através das páginas ou perfis pessoais nas interações sociais cibernéticas. Assim, os comentários, como exemplo figurativo de ferramentas, continuam nas plataformas até que sejam apagados pelos atores autorizados a administração do conteúdo.

Segundo Recuero, as interações podem ainda acontecer de forma mútua no qual cada integrante participa da construção da relação afetando-se mutuamente, ou reativas, limitadas por relações de estímulo e resposta, como acontece quando um ator clica em um hiperlink ou simplesmente segue uma pessoa na rede social.

“As pessoas seguem umas as outras de acordo com suas áreas de interesse. Ou seja, eu quero aprender mais sobre história do Brasil, então seguirei uma pessoa que está disposta a passar esse conhecimento”, aponta Monique sobre a dinâmica da rede.

Assim, as interações na rede social, podem ser acadêmicas, pessoais ou profissionais, gerando relações variadas através da troca de diversos tipos de informação em diferentes tempos e espaços. No caso da rede social Ubuntu, além de fomentar a conexão entre as pessoas, essas interações também cumprem com o objetivo de construir e compartilhar conhecimento online e em conjunto.

Referências: 

Artigo A Aprendizagem Colaborativa no Ensino Virtual

Desabafo Social

Ministério da Educação

Redes Sociais na Internet, Porto Alegre, Sulina, 2009.

Ubuntu

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