Nos últimos anos as manifestações estudantis tem se configurado de maneira estratégica na sociedade. Tendo como iniciativa o “boom” das redes, que com o passar dos anos conquistou uma quantidade massiva de usuários, os estudantes tem procurado cada vez mais uma interação na internet a fim de atingir maior visibilidade e legitimidade nas suas ações que ganham as ruas em forma de protestos contra a corrupção e melhoria do ensino. Mesmo sofrendo, na maioria das vezes, represálias da policia militar os estudantes não se intimidam e organizam manifestações para lutar pelos seus direitos legítimos. O que muitas vezes dão força para que os alunos continuem na luta é o apoio que recebem dos professores das instituições que afirmam que é legitimo o direito da população protestar, e ressalta que é importante que os alunos saibam se impor diante das manifestações, evitando vandalismo e outras atitudes que possam complicar o diálogo com as autoridades.

 

Em Junho de 2013 um grande movimento da população brasileira, conhecida também como manifestação dos 20 centavos, marcou essa nova configuração do uso das redes e mídias como uma das ferramentas principais para que as manifestações ocorressem. O movimento que contestava o aumento do transporte público em todo o país ganhou as ruas através de manifestações que ocorreram nas redes sociais, onde atingiram 15 mil curtidas no primeiro mês e assim ganharam as ruas de todo o Brasil. Os protestos, que eram sempre anunciados e organizados nas redes sócias, se iniciaram nas principais capitais do Brasil e contaram com estudantes, professores, sem tetos, trabalhadores e autônomos, todos juntos se engajaram na causa e foram as ruas protestar pelo fim da corrupção do país.

                              Manifestações de 2013 aconteceram em várias capitais do país.

 

Os autores Henrique Antoun e Fábio Malini apresentam, no texto “Mobilização nas redes sociais: a narrativa do #15M e a democracia da cibercultura”, fundamentos que afirmam essa nova era das mobilizações que se apropriam das redes para obter um espaço de luta e liberdade e que vão contra os interesses do poder politico. No texto, por exemplo, é apresentada a mistura dos ativistas da contracultura com pesquisadores universitários e os militares do departamento de defesa americano, criando-se uma tensão de diferentes movimentos e poderes.  “Por um lado, eles querem uma rede focada nos interesses mais financeiros e científicos; mas, de outro lado, aparecem os hackeadores da rede, fazendo dela um dispositivo de conversação e relações sociais comunitárias, onde cada um tem sua própria voz sem precisar passar pela intermediação de instituições e discursos oficiais ou comerciais” (P.02).

 

As relações sociais dos estudantes nas redes:

As relações sociais e comunitárias nas redes sociais têm fortalecido, no Brasil, o grande movimento da população que luta pela democracia do país. Os manifestos e insatisfações tomam as redes sócias como trampolim, como ponto de partida da luta que se instaurou no cenário politico brasileiro. Nas redes as opiniões são expressas e ocorre a movimentação

“A rede era um lugar para transferir quantias monetárias, dados, mas não havia nada para se fazer de muito interessante. Com a emergência do Ciberespaço (ambientes virtuais comunitários e participativos dos grupos de discursões), a comunicação distribuída suporta uma serie de ativismos que vai da distribuição de hacks à articulação de ações coletivas contra sistemas totalitários; de campanhas de adesão para determinadas causas sociais ao trabalho de debate intelectual através de um fluxo constantes de replies ligados a uma discussão teórica” (P. 03,04).

 

Os universitários vêm utilizando com frequência os grupos do facebook como ferramenta para os diálogos de assuntos do interesse coletivo. Essa interação entre estudantes se transformou em espaços para discussão, reflexão, denuncia e combate. Post com denuncias contra o racismo, o machismo, a intolerância religiosa e a homofobia. Esses são alguns dos temas que, com frequência, surgem nos grupos e que conquistam o apoio das pessoas que lutam a favor do fim da repressão e a busca pela liberdade de expressão e o respeito ao próximo em nosso país.  A Universidade Federal da Bahia possui um grupo no facebook com mais de 34 mil membros. Atualmente, os alunos transformam o espaço em plataforma de compartilhamento de informações politicas, noticias relacionada à Universidade, entre outros. O principal objetivo é manter os universitários conectados e antenados aos acontecimentos que sejam do interesse coletivo.

 

Eventos: Do Facebook para as ruas.

                               Manifestação contra a Homofobia se iniciou no Facebook e ganhou as ruas do bairro Rio Vermelho, em Salvador-BA.

 

Os eventos criados via Facebook é outro meio de comunicação que ganha espaço e facilita a comunicação e interação das pessoas. Muitos dos protestos são agendados através desses eventos e reúnem integrantes que lutam por determinada causa. Recentemente a morte misteriosa do jovem Leonardo Moura (29 anos) no bairro do Rio Vermelho levantou suspeita de caso de homofobia e ligeiramente ganhou a mídia e a revolta de varias pessoas. Insatisfeitos com a insegurança e a impunidade diante de outros acontecimentos noticiados, membros do grupo LGBTT decidiram ir às ruas e protestar pela falta de segurança. A manifestação teve inicio com pessoas interessadas pela causa que encontraram no Facebook forças para divulgar e fazer o evento acontecer.  O protesto aconteceu no dia 15 de Julho de 2016 e a quantidade de pessoas presentes confirmou a eficiência do uso das redes sociais como meio de comunicação e convocação para que a população se faça presente pela luta dos direitos do cidadão.

REFERÊNCIAS:

ANTOUN, Henrique; MALINI, Fabio. Mobilização nas Redes Sociais: A narratividade do #15M e a democracia da Cibercultura.  Junho de 2013.

http://www.opopular.com.br/editorias/vida-urbana/estudantes-marcam-novo-protesto-1.331979  Acesso em 09 de Setembro de 2016.

http://g1.globo.com/bahia/noticia/2016/07/grupo-protesta-contra-homofobia-e-morte-de-estudante-no-rio-vermelho.html  Acesso em 09 de Setembro de 2016.

 

 

 

 

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