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Os dispositivos móveis possuem configurações que permitem o aluno anotar em bloco de notas, fotografar atividades e pesquisar assuntos na Internet

As novas tecnologias digitais expandem as dimensões das relações humanas e trazem consigo novas formas de controle informacional do espaço. Através das mídias consideradas pós-massivas, analisadas pela diversidade de suas funções nos processos de conversação, interação e de comunicação, são produzidas possibilidades dentro dos fluxos comunicacionais.

Com a nova dinâmica emergente, o espaço e as práticas sociais são reconfigurados conforme as novas tecnologias de comunicação e seus dispositivos – meios necessários para sua existência.  A partir disso levantam-se questões relacionadas a utilização do espaço físico através dessas novas mídias e as novas maneiras de comunicação.

Surgem então os chamados “territórios informacionais”, caracterizados como zonas permanentes de acesso e controle da informação por redes sem fio, como aponta André Lemos em seu artigo Cidade e Mobilidade. Telefones celulares, funções pós-massivas e territórios informacionais, publicado pela Revista do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da USP em 2007.

Nesse novo cenário, as novas tecnologias digitais aplicadas aos territórios informacionais podem ser operadas em qualquer lugar com redes sem fio, sendo também o lugar de acesso sem fio em um escola por redes Wi-Fi (ou 3G) um território informacional. Então como lidar com sua utilização em espaços como a sala de aula?

Entre quatro paredes e um quadro: utilização dos smartphones em sala de aula

A Anatel – Agência Nacional de Telecomunicações, em julho desse ano registrou a existência de 252, 5 milhões de acessos ativos na telefonia móvel. Com mais de 10 milhões de aparelhos nas mãos de crianças e jovens entre 10 e 17 anos e redes de acesso a internet em quase todos os espaços, o controle desses dispositivos torna-se uma tarefa difícil nas escolas. 

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Ao longo da história, a tecnologia já foi incorporada a educação através dos mais diversos dispositivos e meios, desde o quadro de giz aos materiais impressos. No início do século XXI foi a incorporação das novas tecnologias nos processos de ensino e aprendizagem que suscitou as mais diversas questões aos educadores.

Para Pierry Levy, filósofo, sociólogo e pesquisador em ciência da informação e da comunicação, em seu livro Cibercultura, apenas a imagem mental não é suficiente para guardar diversas informações. Dessa forma, os dispositivos entram no processo educacional como uma ferramenta favorável através de diversos recursos que dispõem no registro de imagens, filmagem, bloco de notas, entre outros.

Além de funções como ouvir música e falar ao telefone, esses dispositivos móveis e sua conexão à Internet dão acesso a uma variedade de informações. As mídias pós-massivas também trazem a possibilidade de produção e compartilhamento de informação por qualquer pessoa, acesso a diversos autores e troca de conhecimento.  

A incorporação dessas novas mídias esbarra na natural adesão que elas já possuem entre os estudantes para diversão e entretenimento. O desafio portanto é passado aos educadores, responsáveis pela transposição da utilização dos dispositivos móveis no ensino e aprendizagem, através da apropriação dessas novas tecnologias de comunicação e informação em sala de aula. 

A dificuldade de controle e proibição dos smartphones, tablets e dispositivos afins fomenta a busca por novas alternativas. A mobilidade informacional facilitada pelos territórios informacionais e dispositivos móveis portanto deve ser vista como um ponto positivo dentro dessa área social, trazendo possibilidade de acesso, produção e circulação de informação em tempo real pelos alunos, acrescentando a dinamicidade e atravessando fronteiras físicas (como a disponibilidade de livros online) existentes na educação.  

Referências:

Lemos, A. Cidade e mobilidade. Telefones celulares, funções pós-massivas e territórios informacionais. MATRIZes, v. 1, n. 1, 2007. 

Fernandes, L. As Mídias Portáteis no Processo Educativo: Possibilidades e Limites. Minas Gerais, p. 1-16, 2012.

Anatel – Agência Nacional de Telecomunicações

 

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