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outubro 2016

A adaptação do contemporâneo as salas de aula

Ao longo das últimas semanas trouxemos alguns temas de destaque discutidos no campo da comunicação envolvendo a tecnologia e analisando sua aplicação na área do ensino e educação em escolas e universidades. Tópicos como a utilização de smartphones nas escolas, a comunicação das coisas e as smart cities foram assuntos abordados por ângulos acadêmicos e também visualizados através de referências e materiais audiovisuais.

Assuntos recorrentes hoje em dia e frutos de discussões como a adoção de câmeras nas escolas, vigilância em locais públicos e redes sociais como ferramenta para mobilizações sociais tiveram abordagens mais amplas com a proposição de exemplos fáceis de serem encontrados e aplicados em rodas de conversa. Os assuntos mais diversos e atuais encontraram respaldo em um modelo de educação antigo com as mais diversas reações as novas ferramentas tecnológicas.

Antigas iniciativas de introdução a técnicas virtuais como as salas de informáticas nas escolas em meados da década de 90 até o início dos anos 2000 foram substituídas por tentativas de adesão dos smartphones ao conteúdo passado nas aulas vide a própria utilização desses meios pelas crianças em suas casas. As iniciativas de integração da tecnologia a educação são diversas e não surgiram há pouco tempo o que hoje nos fazem refletir sobre a sua efetividade e aplicação.

Acreditamos na necessidade de uma reforma no formato educacional contemporâneo que, ao ocorrer, agregará os novos dispositivos tecnológicos simplesmente por eles fazerem parte do dia a dia das pessoas e facilitarem ou agilizarem atividades das mais corriqueiras. Acreditamos em uma época que o educar para a vida não terá significado maior do que o aplicado nas escolas brasileiras, como já acontece em alguns lugares do mundo, a exemplo de países como a Finlândia e Colômbia.

 

A máxima de que a Internet e os celulares alienam as pessoas ou deixam os cidadãos cada vez mais reclusos em seus universos particulares precisa ser desmistificada urgentemente para que seja retirado proveito de uma das maiores invenções da pós-modernidade em todos os lugares, inclusive nas escolas, através de ferramentas que permitem acesso a livros digitalizados, ferramentas colaborativas de produção de conteúdo e pesquisa ou até mesmo produção de audiovisual para ilustração de trabalhos que não precisem ser retirados de fontes googlianas.

A produção do blog foi de grande valia para todos os colaboradores através do conhecimento apreendido e desenvolvido durante a apuração dos posts e esperamos que o material final também seja utilizado como incentivador de iniciativas ligadas a tecnologia e educação ou simplesmente sirva de inspiração para aprimorar atividades relacionadas já existentes.

Com grande prazer, nos despedimos do blog finalizando-o através desse post e agradecendo aos que guiaram a nossa trajetória durante o seu desenvolvimento.

Atenciosamente,
Edvan Menezes, Eric Lopes, Márcio, Paloma Morais e Yananda Lima

Internet das Coisas e Smart Cities

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Smartphones, tablets, computadores, notebooks, aplicativos, redes sociais, e-mail, wifi, GPS…É inegável que estamos o tempo todo conectados, e a internet facilita  muito a comunicação humana. Agora você já parou para pensar que os objetos e coisas que estão ao nosso redor como os carros, geladeiras,  óculos, relógio, sensores instalados nos mais variados objetos também estão conectados a rede. Essa é a Internet das Coisas onde o híbrido está em expansão, humanos  não-humanos se relacionam através das  redes sociotécnica.

Internet das Coisas, vem do inglês Internet of Things (IoT) ou Internet of Everything, e já existe desde a década de 1980.O primeiro objeto a ser conectado a internet foi uma maquina da Coca – Cola, criada no laboratório de Computação na Carnegie Mellon University (EUA), na máquina foi instalado com um chip que avisava quando precisava recarrega – lá novamente com refrigerantes.A definição fica mais nítida com o conceito de André Lemos, de acordo com o autor “Internet das Coisas” (IoT) é um conjunto de sensores, atuadores, objetos ligados por sistemas informatizados que ampliam a comunicação entre pessoas e objetos (o sensor no carro avisando a hora da revisão, por exemplo) e entre os objetos de forma autônoma, automática e sensível ao contexto (o sensor do carro alertando sobre acidentes no meu caminho). Objetos passam a “sentir” a presença de outros, a trocar informações e a mediar ações entre eles e entre humanos. (LEMOS, 2013, p. 196)

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Primeira objeto a funcionar conectado a internet.

É importante entender que IoT é um híbrido que esta sempre em expansão, toma formas, agem e reagem a determinadas situações, comunica-se com outros, toma decisões, de acordo com Lemos eles metaforicamente ganham “vida”. São dotados de inteligência (smart) e se comunicam pelas redes (sociotécnicas). Os IoT possuem sensibilidade performativa.

Imagine sair do seu trabalho e uma rede de sistemas conectados à internet agem de maneira integrada para facilitar a sua vida.É uma maravilha, não é mesmo? O vídeo abaixo é uma propaganda que ilustra como essa rede age, a automação residencial, a geolocalização do GPS, acionamneto dos sensores de temperatura e acendimento de luzes, interação entre veiculo e câmeras de segurança. 

A tendencia dos objetos cada vez mais sofisticados e conectados a rede esta criando novos hábitos e uma nova forma de viver e repensar a cidade. É uma evolução, as chamadas Smart City vem se solidificando. A cidade sempre foi um artefato e se constituiu como tal, as relações entre a evolução e progresso de mídia e cidades sempre estiveram de mão dadas.

A ideia de inclusão digital nos anos 1990 foi um elemento considerado determinante para modernizar a sociedade, criação de telecentros informáticos  e lan  houses,  dava uma sensação de cidade digitais. A partir de 2006 passou a se chamar cidades inteligentes ou smart cities.

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Aplicativos que demonstram em tempo real o trafego de carros, ônibus, trens ao redor do mundo são bons exemplos de como isso é importante para a dinâmica  da cidade. Em Salvador temos o CittaMobi, um aplicativo que demonstra em tempo real a geolocalização dos ônibus na capital baiana.

REFERENCIAS

LEMOS. A. Internet das coisas. (cap.6). In_____. A comunicação das coisas: teoria ator-rede e cibercultura. São Paulo: Annablume, 2013.

Internet das Coisas – O controle na ponta dos seus dedos! (ou não). Disponível em: <http://www.crazytechguys.com/2014/07/01/internet-das-coisas-o-controle-na-ponta-dos-seus-dedos-ou-no/&gt;. Acesso em: 20 out. 2016.

Educação e a comunicação das coisas

Na história da Mitologia grega Dádalo foi um arquiteto/artesão e descobridor das formas, volume e espaço. A pedido do Rei Minos, o artesão construiu o grande labirinto de Creta, que possuía em seu interior uma complexidade arquitetônica. Posteriormente aprisionado em sua própria construção (o rei Minos ordenou a prisão de Dédalo devido o prisioneiro Minotauro ter superado a complexidade do labirinto, saindo vivo dele), Dédalo surpreendeu novamente e com a sua habilidade e genialidade construiu asas artificiais com as penas dos pássaros que voavam sobre o labirinto, coladas com cera de abelhas, realizando assim a sua fuga. Dédalo foi um inventor de contrafações ( estátuas que pareciam vivas, robôs-soldados que patrulharam Creta) e a sua história nos remete ao grande significado que o artífice possui na humanidade. O capitulo Um coletivo de humanos e não-humanos, de Bruno Latour, classifica Dédalo como “O melhor epônimo para a técnica- e o conceito de Daedalion é a melhor ferramenta para penetrarmos a evolução daquilo que venho chamando de coletivo” (P. 202).

             

               Representação do labirinto de Creta, construído pelo artesão Dédalo.

Se fizermos uma rápida pesquisa sobre o termo humano e não humano, encontraremos termos que podem relacionar o humano a um ser que possui falhas, que não é perfeito e que está sempre em busca da evolução dos seus atos e aperfeiçoamento da relação com o próximo. O humano é nada mais que um ser de alma. Podemos então categorizar o não humano aos objetos, certo? Os objetos, a tecnologia, a evolução das máquinas que cada vez mais se aproximam da perfeição e que dominam o mundo seja em qual área for. Prova disso é a chamada Internet das coisas que surge e se aprimora, por exemplo, na educação com o propósito de facilitar e aperfeiçoar a rotina dos estudantes. Contribuição para os alunos com necessidades especiais, aprendizagem móvel e aumento da eficiência são algumas das características dessa nova era na educação, que se rende a nova tendência da internet das coisas.

Segundo André Lemos, a internet das coisas (IoT) é o “conjunto de redes, sensores, atuadores, objetos ligados por sistemas informatizados” que amplifica a comunicação entre pessoas e objetos, assim como põe em evidência a automatização dos objetos (tanto concretos, como digitais) que se comunicam entre si e mediam a comunicação entre eles e os humanos, sem  atores humanos dirigindo o processo. Ou seja, existe a “internet das pessoas”, que seria quando utilizamos um celular, notebook, tablet para produzir, acessar ou compartilhar conteúdos em sites, redes sociais, blogs, etc. Nesse caso, existem objetos não humanos agindo, porém são os atores humanos que fazem o pedido de serviço de acordo com seus interesses do momento.  Já na “internet das coisas” os objetos são o núcleo da mediação. Eles fazem tudo sozinhos se comunicando com outros objetos. Esses objetos ganham de certa forma uma vida, eles falam com outros, tomam decisões por humanos, sugerem, reagem ao contexto e modificam a forma das pessoas lidarem com o seu entorno.

Mesmo com inúmeras facilidades que a autonomia dos objetos pode nos oferecer como, por exemplo, através do sistema de GPS informar que houve um acidente e ele mesmo sugerir uma nova rota para evitar congestionamento, ou fazer com que seu carro se adéqüe a velocidade limite dos locais em que trafega, ele traz questões que podem ser negativas, como o controle, a vigilância,  monitoramento, invasão de privacidade e invisibilidade dos processos.

RASTREAR É A SOLUÇÃO PARA UM SISTEMA DE EDUCAÇÃO SEGURO?

O tratamento de dados em programas qualificados em mensurar e rastrear mudou a perfil de grandes instituições que atualmente se utilizam desses dados para controlar, monitorar a partir de ações individuais das pessoas na internet, e criar produtos próximos a perfis apropriados. Dessa forma a rede digital é cada vez mais acoplada a todos objetos e locais do cotidiano. Esses objetos pro sua vez estão sempre agregados a outros objetos e a outros elementos que compõem a sua solidez como caixas-pretas. Então, muitos objetos que possuem um RFDI, por exemplo, são vistos como somente objetos, não podemos ver a função de rastreamento que ela tem.

Um exemplo é o Centro Municipal Paulo Freire, em Vitória da Conquista, que implementou etiquetas de radiofrequencia nos uniformes dos seu alunos. O projeto tem como objetivo controlaR a entrada e saída de seus alunos. A etiqueta, que tem um código universal, é cadastrada no sistema da instituição com os dados do aluno e contato telefônico de seus pais e responsáveis. Ela é ativada no momento em que o estudante passa pela portaria, através de um leitor instalado na entrada dela. Com essa ativação o sistema envia de forma automática uma mensagem para o número do responsável cadastrado informando o horário que o aluno entrou, ou caso contrário, receberá uma mensagem informando que o aluno não compareceu. Então, temos aqui o escudo do uniforme como uma caixa-preta, que é quando a visibilidade da sua função fica ao fundo, no caso, a atribuição de monitoramento do movimento. Ele não é apenas um objeto usado para identificá-lo como aluno da instituição permitindo entrada e saída, mas um mecanismo de super controle. O aluno só perceberá essa nova função do objeto depois, com as sanções da escola ou dos pais por falta nas aulas.O uniforme torna-se um objeto infocomucicanional, pois atua na relação entre humanos (pais, alunos e professores) e não humanos (escola, operadora de cel, a RFID, leitor).

uniforme_prefeituraUniforme com chip em seu escudo para monitorar a entrada e saída dos alunos.

Mas nesse caso entra justamente em questão o uso da internet das coisas como forma de monitoramento. É bastante problemático que um sistema automatizado substitua a conversa entre alunos, pais e professores. Não é educativo e pode ter efeito contrário. Alunos podem simplesmente burlar esse mecanismo causando atritos entre as partes envolvidas, ou até mesmo haver casos de erro no sistema e causar confusões desnecessárias. Além de não ser saudável esse alto controle com as crianças e público juvenil.

Outra forma de constante vigilância que vem sendo adotada ultimamente é o uso de câmeras de vigilância dentro das próprias salas de aulas, indo além do controle direcionado aos alunos, mas um controle direto dos pais e direção das escolas para com os professores. Uma escola particular em Salvador, por exemplo,  além de colocar as câmeras dentro das  salas, ela transmite ao vivo para os pais, que tem um login de acesso, o que está acontecendo na aula. É uma questão bem complexa, pois vai de contra a liberdade e dinâmica das aulas. Seria a função da escola então colocar a responsabilidade da interação entre ela, pais e alunos em um sistema? Não seria sua função conversar com os alunos e pais e resolver problemas relacionadas ao cotidiano escolar?

cameras_580 Escolas adotam o sistema de vigilância através de câmeras em salas de aulas.

Mesmo que a preocupação seja maior com relação a segurança da criança, esta forma de vigilância vai de contra a liberdade individual e encerra qualquer diálogo entre deveres e direitos e obriga o aluno a ter uma disciplina que é vigiada eletronicamente e não por que ele entende (e lhe é ensinado de forma didática) que é necessário.

ASPECTOS POSITIVOS DA IoT NA EDUCAÇÃO

Dentre as o leque de possibilidades que a IoT abre a aula invertida é uma das possibilidades mais  comuns e de fácil aplicação. Porém os sensores abrem inúmeras possibilidades desde controle de presença do alunado, ou problemas de saúdes e desempenho dos alunos, sem ser necessário uma avaliação humana a priori, os dados já seriam processados e dariam ao profissional responsável por analisar ligações e correlações já estabelecidas entre os códigos – ex: se o aluno A está com mau desempenho em um tal período escolar ou matéria não é preciso que uma pessoa detecte e se ponha a traça relações e hipóteses cruzando dados, apenas deixa-se que o algoritmo capte os dados e faça as relações automaticamente.

Outra proposta é explorar a IoT como ferramenta educacional, explorando as possibilidades inerentes dos sensores e dispositivos, fazendo com que o estudante conheça as vantagens da IoT como a Oi Kabum Recife demonstra no vídeo abaixo:

O desenvolvimento de dispositivos utilizando a IoT por estudantes faz com que o estudante possa desenvolver e explorar uma tecnologia que ainda é recente e a prognósticos que passará a fazer cada vez mais parte do dia-a-dia das pessoas com as Smartcity e os embarcados que já estão dentro do contexto sócio-tecnológico do século XXI

REFERÊNCIAS:
Latour, B. Esperança de Pandora: ensaios sobre a realidade dos estudos científicos , cap. 6- Um coletivo de humanos e não-humanos, p. 201-247, Bauru, SP, 2001
Imagem disponível em: https://www.google.com.br/search?q=labirinto+de+creta&biw=1024&bih=613&source=lnms&tbm=isch&sa=X&sqi=2&ved=0ahUKEwj3o4Sg99_PAhXMh5AKHYdtAUgQ_AUIBigB#imgrc=320830K2E3yzeM%3A . Acesso em: 13/10/16.

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