Busca

etecweb

Categoria

Sem categoria

A adaptação do contemporâneo as salas de aula

Ao longo das últimas semanas trouxemos alguns temas de destaque discutidos no campo da comunicação envolvendo a tecnologia e analisando sua aplicação na área do ensino e educação em escolas e universidades. Tópicos como a utilização de smartphones nas escolas, a comunicação das coisas e as smart cities foram assuntos abordados por ângulos acadêmicos e também visualizados através de referências e materiais audiovisuais.

Assuntos recorrentes hoje em dia e frutos de discussões como a adoção de câmeras nas escolas, vigilância em locais públicos e redes sociais como ferramenta para mobilizações sociais tiveram abordagens mais amplas com a proposição de exemplos fáceis de serem encontrados e aplicados em rodas de conversa. Os assuntos mais diversos e atuais encontraram respaldo em um modelo de educação antigo com as mais diversas reações as novas ferramentas tecnológicas.

Antigas iniciativas de introdução a técnicas virtuais como as salas de informáticas nas escolas em meados da década de 90 até o início dos anos 2000 foram substituídas por tentativas de adesão dos smartphones ao conteúdo passado nas aulas vide a própria utilização desses meios pelas crianças em suas casas. As iniciativas de integração da tecnologia a educação são diversas e não surgiram há pouco tempo o que hoje nos fazem refletir sobre a sua efetividade e aplicação.

Acreditamos na necessidade de uma reforma no formato educacional contemporâneo que, ao ocorrer, agregará os novos dispositivos tecnológicos simplesmente por eles fazerem parte do dia a dia das pessoas e facilitarem ou agilizarem atividades das mais corriqueiras. Acreditamos em uma época que o educar para a vida não terá significado maior do que o aplicado nas escolas brasileiras, como já acontece em alguns lugares do mundo, a exemplo de países como a Finlândia e Colômbia.

 

A máxima de que a Internet e os celulares alienam as pessoas ou deixam os cidadãos cada vez mais reclusos em seus universos particulares precisa ser desmistificada urgentemente para que seja retirado proveito de uma das maiores invenções da pós-modernidade em todos os lugares, inclusive nas escolas, através de ferramentas que permitem acesso a livros digitalizados, ferramentas colaborativas de produção de conteúdo e pesquisa ou até mesmo produção de audiovisual para ilustração de trabalhos que não precisem ser retirados de fontes googlianas.

A produção do blog foi de grande valia para todos os colaboradores através do conhecimento apreendido e desenvolvido durante a apuração dos posts e esperamos que o material final também seja utilizado como incentivador de iniciativas ligadas a tecnologia e educação ou simplesmente sirva de inspiração para aprimorar atividades relacionadas já existentes.

Com grande prazer, nos despedimos do blog finalizando-o através desse post e agradecendo aos que guiaram a nossa trajetória durante o seu desenvolvimento.

Atenciosamente,
Edvan Menezes, Eric Lopes, Márcio, Paloma Morais e Yananda Lima

Internet das Coisas e Smart Cities

513387860

Smartphones, tablets, computadores, notebooks, aplicativos, redes sociais, e-mail, wifi, GPS…É inegável que estamos o tempo todo conectados, e a internet facilita  muito a comunicação humana. Agora você já parou para pensar que os objetos e coisas que estão ao nosso redor como os carros, geladeiras,  óculos, relógio, sensores instalados nos mais variados objetos também estão conectados a rede. Essa é a Internet das Coisas onde o híbrido está em expansão, humanos  não-humanos se relacionam através das  redes sociotécnica.

Internet das Coisas, vem do inglês Internet of Things (IoT) ou Internet of Everything, e já existe desde a década de 1980.O primeiro objeto a ser conectado a internet foi uma maquina da Coca – Cola, criada no laboratório de Computação na Carnegie Mellon University (EUA), na máquina foi instalado com um chip que avisava quando precisava recarrega – lá novamente com refrigerantes.A definição fica mais nítida com o conceito de André Lemos, de acordo com o autor “Internet das Coisas” (IoT) é um conjunto de sensores, atuadores, objetos ligados por sistemas informatizados que ampliam a comunicação entre pessoas e objetos (o sensor no carro avisando a hora da revisão, por exemplo) e entre os objetos de forma autônoma, automática e sensível ao contexto (o sensor do carro alertando sobre acidentes no meu caminho). Objetos passam a “sentir” a presença de outros, a trocar informações e a mediar ações entre eles e entre humanos. (LEMOS, 2013, p. 196)

internet-das-coisas

Primeira objeto a funcionar conectado a internet.

É importante entender que IoT é um híbrido que esta sempre em expansão, toma formas, agem e reagem a determinadas situações, comunica-se com outros, toma decisões, de acordo com Lemos eles metaforicamente ganham “vida”. São dotados de inteligência (smart) e se comunicam pelas redes (sociotécnicas). Os IoT possuem sensibilidade performativa.

Imagine sair do seu trabalho e uma rede de sistemas conectados à internet agem de maneira integrada para facilitar a sua vida.É uma maravilha, não é mesmo? O vídeo abaixo é uma propaganda que ilustra como essa rede age, a automação residencial, a geolocalização do GPS, acionamneto dos sensores de temperatura e acendimento de luzes, interação entre veiculo e câmeras de segurança. 

A tendencia dos objetos cada vez mais sofisticados e conectados a rede esta criando novos hábitos e uma nova forma de viver e repensar a cidade. É uma evolução, as chamadas Smart City vem se solidificando. A cidade sempre foi um artefato e se constituiu como tal, as relações entre a evolução e progresso de mídia e cidades sempre estiveram de mão dadas.

A ideia de inclusão digital nos anos 1990 foi um elemento considerado determinante para modernizar a sociedade, criação de telecentros informáticos  e lan  houses,  dava uma sensação de cidade digitais. A partir de 2006 passou a se chamar cidades inteligentes ou smart cities.

dsc03110

Aplicativos que demonstram em tempo real o trafego de carros, ônibus, trens ao redor do mundo são bons exemplos de como isso é importante para a dinâmica  da cidade. Em Salvador temos o CittaMobi, um aplicativo que demonstra em tempo real a geolocalização dos ônibus na capital baiana.

REFERENCIAS

LEMOS. A. Internet das coisas. (cap.6). In_____. A comunicação das coisas: teoria ator-rede e cibercultura. São Paulo: Annablume, 2013.

Internet das Coisas – O controle na ponta dos seus dedos! (ou não). Disponível em: <http://www.crazytechguys.com/2014/07/01/internet-das-coisas-o-controle-na-ponta-dos-seus-dedos-ou-no/&gt;. Acesso em: 20 out. 2016.

Educação e a comunicação das coisas

Na história da Mitologia grega Dádalo foi um arquiteto/artesão e descobridor das formas, volume e espaço. A pedido do Rei Minos, o artesão construiu o grande labirinto de Creta, que possuía em seu interior uma complexidade arquitetônica. Posteriormente aprisionado em sua própria construção (o rei Minos ordenou a prisão de Dédalo devido o prisioneiro Minotauro ter superado a complexidade do labirinto, saindo vivo dele), Dédalo surpreendeu novamente e com a sua habilidade e genialidade construiu asas artificiais com as penas dos pássaros que voavam sobre o labirinto, coladas com cera de abelhas, realizando assim a sua fuga. Dédalo foi um inventor de contrafações ( estátuas que pareciam vivas, robôs-soldados que patrulharam Creta) e a sua história nos remete ao grande significado que o artífice possui na humanidade. O capitulo Um coletivo de humanos e não-humanos, de Bruno Latour, classifica Dédalo como “O melhor epônimo para a técnica- e o conceito de Daedalion é a melhor ferramenta para penetrarmos a evolução daquilo que venho chamando de coletivo” (P. 202).

             

               Representação do labirinto de Creta, construído pelo artesão Dédalo.

Se fizermos uma rápida pesquisa sobre o termo humano e não humano, encontraremos termos que podem relacionar o humano a um ser que possui falhas, que não é perfeito e que está sempre em busca da evolução dos seus atos e aperfeiçoamento da relação com o próximo. O humano é nada mais que um ser de alma. Podemos então categorizar o não humano aos objetos, certo? Os objetos, a tecnologia, a evolução das máquinas que cada vez mais se aproximam da perfeição e que dominam o mundo seja em qual área for. Prova disso é a chamada Internet das coisas que surge e se aprimora, por exemplo, na educação com o propósito de facilitar e aperfeiçoar a rotina dos estudantes. Contribuição para os alunos com necessidades especiais, aprendizagem móvel e aumento da eficiência são algumas das características dessa nova era na educação, que se rende a nova tendência da internet das coisas.

Segundo André Lemos, a internet das coisas (IoT) é o “conjunto de redes, sensores, atuadores, objetos ligados por sistemas informatizados” que amplifica a comunicação entre pessoas e objetos, assim como põe em evidência a automatização dos objetos (tanto concretos, como digitais) que se comunicam entre si e mediam a comunicação entre eles e os humanos, sem  atores humanos dirigindo o processo. Ou seja, existe a “internet das pessoas”, que seria quando utilizamos um celular, notebook, tablet para produzir, acessar ou compartilhar conteúdos em sites, redes sociais, blogs, etc. Nesse caso, existem objetos não humanos agindo, porém são os atores humanos que fazem o pedido de serviço de acordo com seus interesses do momento.  Já na “internet das coisas” os objetos são o núcleo da mediação. Eles fazem tudo sozinhos se comunicando com outros objetos. Esses objetos ganham de certa forma uma vida, eles falam com outros, tomam decisões por humanos, sugerem, reagem ao contexto e modificam a forma das pessoas lidarem com o seu entorno.

Mesmo com inúmeras facilidades que a autonomia dos objetos pode nos oferecer como, por exemplo, através do sistema de GPS informar que houve um acidente e ele mesmo sugerir uma nova rota para evitar congestionamento, ou fazer com que seu carro se adéqüe a velocidade limite dos locais em que trafega, ele traz questões que podem ser negativas, como o controle, a vigilância,  monitoramento, invasão de privacidade e invisibilidade dos processos.

RASTREAR É A SOLUÇÃO PARA UM SISTEMA DE EDUCAÇÃO SEGURO?

O tratamento de dados em programas qualificados em mensurar e rastrear mudou a perfil de grandes instituições que atualmente se utilizam desses dados para controlar, monitorar a partir de ações individuais das pessoas na internet, e criar produtos próximos a perfis apropriados. Dessa forma a rede digital é cada vez mais acoplada a todos objetos e locais do cotidiano. Esses objetos pro sua vez estão sempre agregados a outros objetos e a outros elementos que compõem a sua solidez como caixas-pretas. Então, muitos objetos que possuem um RFDI, por exemplo, são vistos como somente objetos, não podemos ver a função de rastreamento que ela tem.

Um exemplo é o Centro Municipal Paulo Freire, em Vitória da Conquista, que implementou etiquetas de radiofrequencia nos uniformes dos seu alunos. O projeto tem como objetivo controlaR a entrada e saída de seus alunos. A etiqueta, que tem um código universal, é cadastrada no sistema da instituição com os dados do aluno e contato telefônico de seus pais e responsáveis. Ela é ativada no momento em que o estudante passa pela portaria, através de um leitor instalado na entrada dela. Com essa ativação o sistema envia de forma automática uma mensagem para o número do responsável cadastrado informando o horário que o aluno entrou, ou caso contrário, receberá uma mensagem informando que o aluno não compareceu. Então, temos aqui o escudo do uniforme como uma caixa-preta, que é quando a visibilidade da sua função fica ao fundo, no caso, a atribuição de monitoramento do movimento. Ele não é apenas um objeto usado para identificá-lo como aluno da instituição permitindo entrada e saída, mas um mecanismo de super controle. O aluno só perceberá essa nova função do objeto depois, com as sanções da escola ou dos pais por falta nas aulas.O uniforme torna-se um objeto infocomucicanional, pois atua na relação entre humanos (pais, alunos e professores) e não humanos (escola, operadora de cel, a RFID, leitor).

uniforme_prefeituraUniforme com chip em seu escudo para monitorar a entrada e saída dos alunos.

Mas nesse caso entra justamente em questão o uso da internet das coisas como forma de monitoramento. É bastante problemático que um sistema automatizado substitua a conversa entre alunos, pais e professores. Não é educativo e pode ter efeito contrário. Alunos podem simplesmente burlar esse mecanismo causando atritos entre as partes envolvidas, ou até mesmo haver casos de erro no sistema e causar confusões desnecessárias. Além de não ser saudável esse alto controle com as crianças e público juvenil.

Outra forma de constante vigilância que vem sendo adotada ultimamente é o uso de câmeras de vigilância dentro das próprias salas de aulas, indo além do controle direcionado aos alunos, mas um controle direto dos pais e direção das escolas para com os professores. Uma escola particular em Salvador, por exemplo,  além de colocar as câmeras dentro das  salas, ela transmite ao vivo para os pais, que tem um login de acesso, o que está acontecendo na aula. É uma questão bem complexa, pois vai de contra a liberdade e dinâmica das aulas. Seria a função da escola então colocar a responsabilidade da interação entre ela, pais e alunos em um sistema? Não seria sua função conversar com os alunos e pais e resolver problemas relacionadas ao cotidiano escolar?

cameras_580 Escolas adotam o sistema de vigilância através de câmeras em salas de aulas.

Mesmo que a preocupação seja maior com relação a segurança da criança, esta forma de vigilância vai de contra a liberdade individual e encerra qualquer diálogo entre deveres e direitos e obriga o aluno a ter uma disciplina que é vigiada eletronicamente e não por que ele entende (e lhe é ensinado de forma didática) que é necessário.

ASPECTOS POSITIVOS DA IoT NA EDUCAÇÃO

Dentre as o leque de possibilidades que a IoT abre a aula invertida é uma das possibilidades mais  comuns e de fácil aplicação. Porém os sensores abrem inúmeras possibilidades desde controle de presença do alunado, ou problemas de saúdes e desempenho dos alunos, sem ser necessário uma avaliação humana a priori, os dados já seriam processados e dariam ao profissional responsável por analisar ligações e correlações já estabelecidas entre os códigos – ex: se o aluno A está com mau desempenho em um tal período escolar ou matéria não é preciso que uma pessoa detecte e se ponha a traça relações e hipóteses cruzando dados, apenas deixa-se que o algoritmo capte os dados e faça as relações automaticamente.

Outra proposta é explorar a IoT como ferramenta educacional, explorando as possibilidades inerentes dos sensores e dispositivos, fazendo com que o estudante conheça as vantagens da IoT como a Oi Kabum Recife demonstra no vídeo abaixo:

O desenvolvimento de dispositivos utilizando a IoT por estudantes faz com que o estudante possa desenvolver e explorar uma tecnologia que ainda é recente e a prognósticos que passará a fazer cada vez mais parte do dia-a-dia das pessoas com as Smartcity e os embarcados que já estão dentro do contexto sócio-tecnológico do século XXI

REFERÊNCIAS:
Latour, B. Esperança de Pandora: ensaios sobre a realidade dos estudos científicos , cap. 6- Um coletivo de humanos e não-humanos, p. 201-247, Bauru, SP, 2001
Imagem disponível em: https://www.google.com.br/search?q=labirinto+de+creta&biw=1024&bih=613&source=lnms&tbm=isch&sa=X&sqi=2&ved=0ahUKEwj3o4Sg99_PAhXMh5AKHYdtAUgQ_AUIBigB#imgrc=320830K2E3yzeM%3A . Acesso em: 13/10/16.

O espaço dos smartphones nas escolas

foto-do-quadro
Os dispositivos móveis possuem configurações que permitem o aluno anotar em bloco de notas, fotografar atividades e pesquisar assuntos na Internet

As novas tecnologias digitais expandem as dimensões das relações humanas e trazem consigo novas formas de controle informacional do espaço. Através das mídias consideradas pós-massivas, analisadas pela diversidade de suas funções nos processos de conversação, interação e de comunicação, são produzidas possibilidades dentro dos fluxos comunicacionais.

Com a nova dinâmica emergente, o espaço e as práticas sociais são reconfigurados conforme as novas tecnologias de comunicação e seus dispositivos – meios necessários para sua existência.  A partir disso levantam-se questões relacionadas a utilização do espaço físico através dessas novas mídias e as novas maneiras de comunicação.

Surgem então os chamados “territórios informacionais”, caracterizados como zonas permanentes de acesso e controle da informação por redes sem fio, como aponta André Lemos em seu artigo Cidade e Mobilidade. Telefones celulares, funções pós-massivas e territórios informacionais, publicado pela Revista do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da USP em 2007.

Nesse novo cenário, as novas tecnologias digitais aplicadas aos territórios informacionais podem ser operadas em qualquer lugar com redes sem fio, sendo também o lugar de acesso sem fio em um escola por redes Wi-Fi (ou 3G) um território informacional. Então como lidar com sua utilização em espaços como a sala de aula?

Entre quatro paredes e um quadro: utilização dos smartphones em sala de aula

A Anatel – Agência Nacional de Telecomunicações, em julho desse ano registrou a existência de 252, 5 milhões de acessos ativos na telefonia móvel. Com mais de 10 milhões de aparelhos nas mãos de crianças e jovens entre 10 e 17 anos e redes de acesso a internet em quase todos os espaços, o controle desses dispositivos torna-se uma tarefa difícil nas escolas. 

c-celular-escola-aluno_1

Ao longo da história, a tecnologia já foi incorporada a educação através dos mais diversos dispositivos e meios, desde o quadro de giz aos materiais impressos. No início do século XXI foi a incorporação das novas tecnologias nos processos de ensino e aprendizagem que suscitou as mais diversas questões aos educadores.

Para Pierry Levy, filósofo, sociólogo e pesquisador em ciência da informação e da comunicação, em seu livro Cibercultura, apenas a imagem mental não é suficiente para guardar diversas informações. Dessa forma, os dispositivos entram no processo educacional como uma ferramenta favorável através de diversos recursos que dispõem no registro de imagens, filmagem, bloco de notas, entre outros.

Além de funções como ouvir música e falar ao telefone, esses dispositivos móveis e sua conexão à Internet dão acesso a uma variedade de informações. As mídias pós-massivas também trazem a possibilidade de produção e compartilhamento de informação por qualquer pessoa, acesso a diversos autores e troca de conhecimento.  

A incorporação dessas novas mídias esbarra na natural adesão que elas já possuem entre os estudantes para diversão e entretenimento. O desafio portanto é passado aos educadores, responsáveis pela transposição da utilização dos dispositivos móveis no ensino e aprendizagem, através da apropriação dessas novas tecnologias de comunicação e informação em sala de aula. 

A dificuldade de controle e proibição dos smartphones, tablets e dispositivos afins fomenta a busca por novas alternativas. A mobilidade informacional facilitada pelos territórios informacionais e dispositivos móveis portanto deve ser vista como um ponto positivo dentro dessa área social, trazendo possibilidade de acesso, produção e circulação de informação em tempo real pelos alunos, acrescentando a dinamicidade e atravessando fronteiras físicas (como a disponibilidade de livros online) existentes na educação.  

Referências:

Lemos, A. Cidade e mobilidade. Telefones celulares, funções pós-massivas e territórios informacionais. MATRIZes, v. 1, n. 1, 2007. 

Fernandes, L. As Mídias Portáteis no Processo Educativo: Possibilidades e Limites. Minas Gerais, p. 1-16, 2012.

Anatel – Agência Nacional de Telecomunicações

 

A Liberdade Vigiada: Câmeras, escolas e algoritmos.

A vigilância afeta um escolar para moldar o seu caráter e moldá-lo ao sistema, podando as arestas de inaptidão levando à obediência das normas e criminalizando perfis desviantes, de modo a formar um caráter homogeneizado normatizado em perfeito estado de captar e adequar-se aos códigos da comunidade de inserção do indivíduo.

Antes de abordar o tema colocarei breves descrições da sociedade disciplinares (panóptico) de Focault e a sociedade de controle de Deleuze para ajudar a trazer à tona e ajudar na elucidação e compreensão do tema da vigilância, educação e tecnologia:

SOCIEDADE DISCIPLINARES DE FOCAULT

“O Panóptico de Bentham é a figura arquitetural dessa composição (…). O dispositivo panóptico organiza unidades espaciais que permitem ver sem parar e reconhecer imediatamente. Em suma, o princípio da masmorra é invertido; ou antes, de suas três funções — trancar, privar de luz e esconder — só se conserva a primeira e suprimem-se as outras duas. A plena luz e o olhar de um vigia captam melhor que a sombra, que finalmente protegia. A visibilidade é uma armadilha.
Daí o efeito mais importante do Panóptico: induzir no detento um estado consciente e permanente de visibilidade que assegura o funcionamento automático do poder. Fazer com que a vigilância seja permanente em seus efeitos, mesmo se é descontínua em sua ação; que a perfeição do poder tenda a tornar inútil a atualidade de seu exercício; que esse aparelho arquitetural seja uma máquina de criar e sustentar uma relação de poder independente daquele que o exerce; enfim, que os detentos se encontrem presos numa situação de poder de que eles mesmos são os portadores.” (FOCAULT, 1987, p.5)

SOCIEDADE DE CONTROLE DE DELEUZE

” “Controle” é o nome que Burroughs propõe para designar o novo monstro, e que Foucault reconhece como nosso futuro próximo. (…). Ao passo que os diferentes modos de controle, os controlatos, são variações inseparáveis, formando um sistema de geometria variável cuja linguagem é numérica (o que não quer dizer necessariamente binária). (…). Nas sociedades de controle, ao contrário, o essencial não é mais uma assinatura e nem um número, mas uma cifra: a cifra é uma senha, (…). A linguagem numérica do controle é feita de cifras, que marcam o acesso à informação, ou a rejeição. Não se está mais diante do par massa-indivíduo. Os indivíduos tornaram-se “dividuais”, divisíveis, e as massas tornaram-se amostras, dados, mercados ou “bancos”.” (DELEUZE, 1990, p. 2)

NO ENSINO MÉDIO

Os olhos atentos vigiam os jovens dentro e fora do sistema escolar, dentro do sistema as notas e a competição por uma vaga na universidade (vestibular) pressionam o jovem a seguir uma conduta de uma rotina de autovigilância voltada ao monitoramento das suas próprias atividades – quantas horas deve estudar, dormir e etc. – para um melhor desempenho no vestibular.

Os seus país por sua vez não deixam de monitorá-lo, os professores elucidam a importância do vestibular, e entrar em uma boa universidade para a carreira de uma pessoa. Os sites de notícias avisam que o exame está perto, os cookies sinalizam livros, sites e outros que supostamente ajudariam ao estudante a sair-se bem no vestibular. Os colegas dizem o curso que querem fazer, usam as redes sociais para lembrar aos outros colegas que é importante estudar- postam fotos estudando, postam métodos e cartilhas de estudos, notícias que uma moça no ano passado que estudara 12 horas por dia passou em primeiro lugar na universidade mais concorrida do estado. Esse fato para Deleuze (1990, p. 6) é “No regime das escolas: as formas de controle contínuo, avaliação contínua, e a ação da formação permanente sobre a escola, o abandono correspondente de qualquer pesquisa na Universidade, a introdução da “empresa” em todos os níveis de escolaridade. ”

As “coleiras eletrônicas” Estão no pescoço cativo do estudante, fazendo com que ele esteja sempre controlado e emaranhado em uma rede que tanto distribua, quanto colete informações dele e de suas pretensões. Essa captação de dados é explicada por Bruno(p.35) “(…) deixamos automaticamente, e não raro involuntariamente, rastros de nossa presença e de nossa ação. Tais rastros são monitorados e capturados, nutrindo bancos de dados complexos que tratam tais informações para extrair categorias supraindividuais ou interindividuais segundo parâmetros de afinidade e similaridade entre os elementos, permitindo traçar perfis – de consumo, de interesse, de comportamento, de competências etc. Como se viu nos exemplos apresentados, tais perfis irão atuar ou diferenciar indivíduos ou grupos com base num suposto saber que conteriam.”

Porém o fato de não saber para onde e como está sendo utilizados os dados captados pelo algoritmo, e muitos algoritmos capturarem muito mais informação que o que poderia ser necessário para o seu funcionamento, seria caótico e disfuncional o estudante não utilizar a internet, redes sociais, browsers (sites de busca de informação – para buscar conteúdos acadêmicos e outras funções importantes.

NA UNIVERSIDADE

A crescente falta de segurança é um dos fatores mais latentes para o crescente uso de tecnologia de segurança com o intuito de salvaguardar, monitorar e inibir crimes. As câmeras e outros dispositivos de monitoramento estão presentes em todos âmbitos sociais e entre eles no meio acadêmico (escolas, colégio e universidades) podem variar os motivos para a sua instalação, mas de certo todas estão pautadas em uma crença de que a partir do funcionamento se obterá melhorias em relação a segurança do espaço monitorado.

Porém de fato há precisão em tal conclusão? Para o professor da faculdade de comunicação da UFBA André Lemos (2011, p.6) em uma pesquisa feita no ano de 2010 na qual foram feitos questionários e entrevistas obtiveram se respostas controversas a utilização das câmeras com o intuito de diminuir a criminalidade:
90% da comunidade acadêmica afirma ser necessária a presença de câmeras de vigilância e se sinta à vontade com elas.
83% as câmeras não são suficientes para conferir plena segurança às pessoas ou para reduzir a criminalidade
54% afirmam que a instalação das câmeras não contribuiu efetivamente para isso.
52% afirmam que não irão reduzir a criminalidade no campus.
69% dos entrevistados não se sentem seguros no campus.
65% tem conhecimento da instalação de câmeras no campus
68% sabe que há câmeras na unidade em que foram entrevistadas.
56% afirmam não saber onde as câmeras estão.

Outro exemplo deste monitoramento panóptico é na UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) na qual investiram em um totem de vigilância, denominado Kule 360 (medindo 10 metros de altura, o aparelho contará com 11 câmeras de vigilância e um drone na parte de cima funcionando 24 horas, além de um dispositivo pelo qual qualquer pessoa poderá fazer uma denúncia diretamente à Central de Monitoramento da universidade.) Além do totem ainda serão instaladas mais 91 novas câmeras na Cidade Universitária, fonte: G1.com. Após a instalação em fase experimental a própria gravou uma matéria https://www.facebook.com/kule360/videos/191169674637898/ e postou no perfil do Facebook da empresa, no qual uma entrevistada afirma sem muita certeza ter ocorrido diminuição no caso de crimes.

Desta maneira há os que defendam (a maioria dos pesquisados) dentro da instituição (UFBA) o uso de câmeras – mesmo sem que comprovem a sua eficácia em reduzir os incidentes no campus por meio de dados legítimos e colhidos com o mínimo de isenção ideológica. No que toca a privacidade deve-se notar que boa parte das pessoas não está preocupada no assunto – para elas mesmo que não creiam na efetividade, a câmera (como a tecnologia no geral) tem um viés de isenção, é imparcial e eticamente correta, e não há riscos em ter uma câmera, ou quaisquer que seja o aparato tecnológico de vigilância por mais invasivo que possa parecer (ou realmente seja) desde que se tenha em mente que ele venha para combater a violência.

CONCLUSÃO

Apesar de não está comprovado de fato a eficiência destes aparatos tecnológicos de vigilância na inibição ou controle da criminalidade, há muita fé que eles resolvam o problema da segurança pública que deveria ser uma questão que deveria ser trabalhada tendo em base que a questão é mais complexa e delicada do que apenas colocar o dispositivo, ou a polícia vigiando o local.

Todavia a câmera está lá e se torna comum parte da paisagem urbana, o algoritmo não para de captar dados e transformar em perfis. Nada se encaixa mais no perfil da sociedade contemporânea do que uma liberdade vigiada, “datificada” e insegura. Vulnerável a dubiedade de quem controla tais tecnologias e servil a um sistema de monitoramento e vigilância ubíquo, indefectível e justificada.

A distopia de George Orwell no livro 1984 está viva e pulsante na sociedade – devidas as proporções – a vigilância constante no livro é defendida, pois o inimigo do sistema personificado por Emmanuel Goldstein pode estar confabulando e recrutando pessoas para a sua ideologia. Já na sociedade a vigilância constante é legitimada na luta de inimigos do sistema (terrorismo, criminosos e afins).

Em uma sociedade na qual a privacidade está sempre sendo negociada e perdida, e na qual não se pode sair ileso desses mecanismos híbridos entre o panóptico e o controle, ficar ileso para qualquer classe da sociedade é uma missão deveras difícil de ser executada, ainda mais para um estudante em formação que está em um ambiente de controle e repressão institucionalizadas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
BRUNO, F. Rastrear, classificar, performar. Rio de Janeiro .Disponível em: <https://www.dropbox.com/sh/0wfncfy5igdwcbo/AACog0kNXYitpAqF6oolirm7a/Textos/Tema%206%20%E2%80%93%20Vigil%C3%A2ncia%2C%20monitoramento%20e%20privacidade/Bruno%2C%20F.%20Rastrear%2C%20classificar%2C%20performar.pdf?dl=0 >, Acesso em: 23 set. 2016.

DELEUZE, G. Post-Scriptum sobre as sociedades de controle. In: Deleuze, G.
Conversações: 1972-1990. São Paulo: Ed. 34, 1992. p. 219-226. Disponível em: <http://netart.incuba. 5dora.fapesp.br/portal/midias/controle.pdf>, Acesso em: 23 jul. 2016.

FOCAULT, M. Vigiar e punir: nascimento da prisão; tradução de Raquel Ramalhete. Petrópolis: Vozes, 1987. Do original em francês: Surveiller et punir. Disponível em: <http://escolanomade.org/wp-content/downloads/foucault_vigiar_punir.pdf&gt;, Acesso em: 23 set. 2016.

KULE360. Site: Facebook. Recife, 2016. Disponível em: <https://www.facebook.com/kule360/videos/191169674637898/?hc_ref=NEWSFEED&gt;, Acesso em: 23 set. 2016.

LEMOS, A. et al. Câmeras de vigilância e cultura da insegurança: percepções sobre as câmeras de vigilânciada UFBA. Salvador, 2011. Disponível em:
<https://www.dropbox.com/sh/0wfncfy5igdwcbo/AAAx2_dnsbOR3HZEaskdpZhFa/Textos/Tema%206%20%E2%80%93%20Vigil%C3%A2ncia%2C%20monitoramento%20e%20privacidade/Lemos%20et%20al%20-%20C%C3%A2meras%20de%20vigil%C3%A2ncia%20e%20cultura%20da%20inseguran%C3%A7a.pdf?dl=0&gt;, Acesso em: 23 set. 2016.

ORWELL, G. 1984. Tradução Wilson Velloso. São Paulo: Companhia Editora Nacional. Disponível em: <http://home.ufam.edu.br/edsonpenafort/GEORGE%20ORWELL%20-%201984.pdf&gt; Acesso em: 23 jul. 2016.

UFPE terá novo sistema de câmeras para melhorar segurança no campus. Recife. Site: G1.COM. Disponível em: <http://g1.globo.com/pernambuco/noticia/2016/05/ufpe-tera-novo-sistema-de-cameras-para-melhorar-seguranca-no-campus.html&gt;, Acesso em: 23 set. 2016.

Privacidade em foco

a

 

Vivemos numa sociedade onde somos monitorados a todo momento. A famosa frase “Sorria, você está sendo filmado” se tornou um fenômeno e bastante comum. Difícil não ser notado por câmeras de segurança, radares, sensores de presença. A vigilância de expande ainda mais, e esta presente em aplicativos de celulares, a exemplo do Uber,  buscas na internet (Google, Yahoo, Bing),  drones e uma série de elementos de vigilância que rodeia nossa sociedade. Para Michael Foucaut estamos cercados por sistemas de registros permanente.

Falar de vigilância é um tema polêmico, sobretudo porque está lidando com a privacidade do outro. Mas é cada vez mais comum ver ações de monitoramento e controle mais intensas em todos os espaços. Nas escolas, por exemplo as câmeras de segurança estão em toda parte, no pátio, no estacionamento, em salas de aula e acredite em algumas escolas até mesmo nos banheiros. Contudo o que para alguns pode significar segurança, para outros isso é uma invasão de privacidade. Mas até que ponto vigiar não se torna uma invasão?

É confuso entender o que realmente é vigilância, pois existe outras expressões como monitoramento e fiscalização. O pesquisador e professor da Faculdade de Comunicação André Lemos define da seguinte forma:

Compreendemos controle como fiscalização de atividades, como ações normalmente associadas a governo e ao domínio de pessoas, ações processos.  Monitoramento pode ser entendido como forma de observação para acumular informações visando projeções ou construção de cenários e históricos, ou seja, como uma ação de acompanhamento e avaliação de dados. Já vigilância pode ser definida como um ato com vistas a evitar algo, como uma observação com fins de prevenção, como um comportamento atencioso, cauteloso ou zeloso.  (LEMOS, p.3, 2009)

 

Vigilância em debate

 

Imagine dissertar sobre vigilância num exame que poderá definir sua trajetória nos próximos anos. Essa foi a proposta para a prova de redação do Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM 2011. Com o tema: “Viver em rede no século XXI: Os limites entre o público e o privado”, vindos com os textos de apoio “Liberdade sem fio” da Revista Galileu, “A internet tem ouvido e memória” do portal Terra e a tirinha do cartunista André Dahmer “Quadrinhos dos anos 10”.

 

enem-2011

Proposta da Redação ENEM 2011

 

A proposta trouxe à tona a discussão sobre vigilância, tema que ganhou novas proporções recentemente com as revelações do analista de sistemas norte-americano Edward Snowden a respeito da vigilância global feita pelos Estados Unidos. Essas revelações causaram situações bastante delicadas dos Estados Unidos em relação a outros países. Na diplomacia entre Estados Unidos e Brasil a ex-presidente Dilma Rousseff cobrou explicações a respeito da espionagem classificada como violação a soberania do país.

Bom mas vigiar, monitorar e controlar sempre foi uma prática. Foucault na obra O Panóptico explica isso, na perspectivo do que é o Panóptico:

O Panóptico de Bentham é a figura arquitetural dessa composição. O princípio é conhecido: na periferia uma construção em anel; no centro, uma torre; esta é vazada de largas janelas que se abrem sobre a face interna do anel; a construção periférica é dividida em celas, cada uma atravessando toda a espessura da construção; elas têm duas janelas, uma para o  interior, correspondendo às janelas da torre; outra, que dá para o exterior, permite que aluz atravesse a cela de lado a lado.

Basta então colocar um vigia na torre central, e em cada cela trancar um louco, um doente, um condenado, um operário ou um escolar. Pelo efeito da contraluz, pode-se perceber da torre, recortando-se exatamente sobre a claridade, as pequenas silhuetas cativas nas celas da periferia. Tantas jaulas, tantos pequenos teatros, em que cada ator está sozinho, perfeitamente individualizado e constantemente visível. O dispositivo panóptico organiza unidades espaciais que permitem ver sem parar e reconhecer imediatamente. Em suma, o  princípio da masmorra é invertido; ou antes, de suas três funções — trancar, privar de luz e esconder — só se conserva a primeira e suprimem-se as outras duas. A plena luz e o olhar de um vigia captam melhor que a sombra, que finalmente protegia. A visibilidade é uma armadilha. (FOUCAULT, p.192-193, 2009).
Vigilância  e privacidade são assuntos que sempre estarão em foco, e novos mecanismos surgirão com o advento de novas tecnologias ou novas mídias. A nossa sociedade nunca foi tão monitorada, tudo isso em tempo real, pois qualquer pessoa pode ter sido fotografado pelo satélite do Google Earth por exemplo.Daí a importância ter em mente que deixamos informações e rastos que dizem muito sobre nós.
REFERENCIAS
Foucault, M. O panoptismo. In: _____. Vigiar e Punir: nascimento da prisão. Petrópoles:
Vozes, p. 186-214, 2009. (Terceira parte: Capítulo III)

Do virtual para o pessoal: O uso das redes sociais como ferramenta de encontro para manifestações.

Nos últimos anos as manifestações estudantis tem se configurado de maneira estratégica na sociedade. Tendo como iniciativa o “boom” das redes, que com o passar dos anos conquistou uma quantidade massiva de usuários, os estudantes tem procurado cada vez mais uma interação na internet a fim de atingir maior visibilidade e legitimidade nas suas ações que ganham as ruas em forma de protestos contra a corrupção e melhoria do ensino. Mesmo sofrendo, na maioria das vezes, represálias da policia militar os estudantes não se intimidam e organizam manifestações para lutar pelos seus direitos legítimos. O que muitas vezes dão força para que os alunos continuem na luta é o apoio que recebem dos professores das instituições que afirmam que é legitimo o direito da população protestar, e ressalta que é importante que os alunos saibam se impor diante das manifestações, evitando vandalismo e outras atitudes que possam complicar o diálogo com as autoridades.

 

Em Junho de 2013 um grande movimento da população brasileira, conhecida também como manifestação dos 20 centavos, marcou essa nova configuração do uso das redes e mídias como uma das ferramentas principais para que as manifestações ocorressem. O movimento que contestava o aumento do transporte público em todo o país ganhou as ruas através de manifestações que ocorreram nas redes sociais, onde atingiram 15 mil curtidas no primeiro mês e assim ganharam as ruas de todo o Brasil. Os protestos, que eram sempre anunciados e organizados nas redes sócias, se iniciaram nas principais capitais do Brasil e contaram com estudantes, professores, sem tetos, trabalhadores e autônomos, todos juntos se engajaram na causa e foram as ruas protestar pelo fim da corrupção do país.

                              Manifestações de 2013 aconteceram em várias capitais do país.

 

Os autores Henrique Antoun e Fábio Malini apresentam, no texto “Mobilização nas redes sociais: a narrativa do #15M e a democracia da cibercultura”, fundamentos que afirmam essa nova era das mobilizações que se apropriam das redes para obter um espaço de luta e liberdade e que vão contra os interesses do poder politico. No texto, por exemplo, é apresentada a mistura dos ativistas da contracultura com pesquisadores universitários e os militares do departamento de defesa americano, criando-se uma tensão de diferentes movimentos e poderes.  “Por um lado, eles querem uma rede focada nos interesses mais financeiros e científicos; mas, de outro lado, aparecem os hackeadores da rede, fazendo dela um dispositivo de conversação e relações sociais comunitárias, onde cada um tem sua própria voz sem precisar passar pela intermediação de instituições e discursos oficiais ou comerciais” (P.02).

 

As relações sociais dos estudantes nas redes:

As relações sociais e comunitárias nas redes sociais têm fortalecido, no Brasil, o grande movimento da população que luta pela democracia do país. Os manifestos e insatisfações tomam as redes sócias como trampolim, como ponto de partida da luta que se instaurou no cenário politico brasileiro. Nas redes as opiniões são expressas e ocorre a movimentação

“A rede era um lugar para transferir quantias monetárias, dados, mas não havia nada para se fazer de muito interessante. Com a emergência do Ciberespaço (ambientes virtuais comunitários e participativos dos grupos de discursões), a comunicação distribuída suporta uma serie de ativismos que vai da distribuição de hacks à articulação de ações coletivas contra sistemas totalitários; de campanhas de adesão para determinadas causas sociais ao trabalho de debate intelectual através de um fluxo constantes de replies ligados a uma discussão teórica” (P. 03,04).

 

Os universitários vêm utilizando com frequência os grupos do facebook como ferramenta para os diálogos de assuntos do interesse coletivo. Essa interação entre estudantes se transformou em espaços para discussão, reflexão, denuncia e combate. Post com denuncias contra o racismo, o machismo, a intolerância religiosa e a homofobia. Esses são alguns dos temas que, com frequência, surgem nos grupos e que conquistam o apoio das pessoas que lutam a favor do fim da repressão e a busca pela liberdade de expressão e o respeito ao próximo em nosso país.  A Universidade Federal da Bahia possui um grupo no facebook com mais de 34 mil membros. Atualmente, os alunos transformam o espaço em plataforma de compartilhamento de informações politicas, noticias relacionada à Universidade, entre outros. O principal objetivo é manter os universitários conectados e antenados aos acontecimentos que sejam do interesse coletivo.

 

Eventos: Do Facebook para as ruas.

                               Manifestação contra a Homofobia se iniciou no Facebook e ganhou as ruas do bairro Rio Vermelho, em Salvador-BA.

 

Os eventos criados via Facebook é outro meio de comunicação que ganha espaço e facilita a comunicação e interação das pessoas. Muitos dos protestos são agendados através desses eventos e reúnem integrantes que lutam por determinada causa. Recentemente a morte misteriosa do jovem Leonardo Moura (29 anos) no bairro do Rio Vermelho levantou suspeita de caso de homofobia e ligeiramente ganhou a mídia e a revolta de varias pessoas. Insatisfeitos com a insegurança e a impunidade diante de outros acontecimentos noticiados, membros do grupo LGBTT decidiram ir às ruas e protestar pela falta de segurança. A manifestação teve inicio com pessoas interessadas pela causa que encontraram no Facebook forças para divulgar e fazer o evento acontecer.  O protesto aconteceu no dia 15 de Julho de 2016 e a quantidade de pessoas presentes confirmou a eficiência do uso das redes sociais como meio de comunicação e convocação para que a população se faça presente pela luta dos direitos do cidadão.

REFERÊNCIAS:

ANTOUN, Henrique; MALINI, Fabio. Mobilização nas Redes Sociais: A narratividade do #15M e a democracia da Cibercultura.  Junho de 2013.

http://www.opopular.com.br/editorias/vida-urbana/estudantes-marcam-novo-protesto-1.331979  Acesso em 09 de Setembro de 2016.

http://g1.globo.com/bahia/noticia/2016/07/grupo-protesta-contra-homofobia-e-morte-de-estudante-no-rio-vermelho.html  Acesso em 09 de Setembro de 2016.

 

 

 

 

Hacktivismo e educação

capture-20160903-024858

Nas últimas décadas a internet tem sido utilizada para explanações de opiniões, assim como, local de debate sobre questões da sociedade, principalmente com o advento de redes sociais como facebook, twiter, blogs, dando acesso a maioria da população brasileira a informação e aptidão para pessoas mobilizarem as outras com causas que acreditam ser importante na pauta da sociedade. Denomina-se ativismo organizações para fins específicos, que mobilizam um número alto de pessoas que “comprem” essa causa. Por sua vez, a capacidade das pessoas em defender e mobilizar pessoas em prol de um fim por meio principal da internet é chamada de ciberativismo. Segundo Sérgio Amadeu da Silveira ciberativismo “é um conjunto de práticas em defesa de causas políticas, socioambientais, sociotecnológicas e culturais, realizadas nas redes cibernéticas, principalmente na Internet.” Manifestações organizadas na internet ou mobilizações realizadas na própria internet são exemplos de ciberativismo, em que existe a utilização de meios eletrônicos para a mobilização política.

É o uso das mídias sociais que gera o debate, o ciberativismo.  Na revolução em países no norte de África e Oriente Médio tem-se exemplos de países que se utilizam das redes geradas pela internet, principalmente blogs, twiter e facebook, assim como uso de equipamentos como celulares para fotos, vídeos e SMS com a finalidade de manifestar a favor da saída dos regimes autoritários de seus países. A partir dessa experiência o questionamento  se  as redes sociais e celulares são apenas ferramentas, instrumentos, meios ou atores ocasionalmente pode ser  levantado.

De acordo com Sergio Amadeu “um martelo, um computador, leis e normas, um telefone celular, um blog, o Twitter ou o Facebook não são ferramentas, meios, intermediários, por um lado, ou agentes, mediadores, tradutores, atores, por outro.”  Ou seja, os “objetos” referidos podem  desempenhar  uma função ou outra dependendo das associações geradas. Dessa forma o termo “actante”, que significa tudo aquilo que desperta  ação, é melhor empregado, pois evita-se o pensamento que somente humanos geram ações, já que  actante tanto humanos como não humanos assumem determinados papéis a depender das associações formadas em determinada ação.

Respondendo ao questionamento sobre o caso dos países do Oriente Médio e do norte africano, segundo Sérgio Amadeu “podemos dizer que Blogs, Facebook, Twitter, celulares…, agiram como mediadores e foram tradutores de ações de/para outros actantes que ganharam várias dimensões (as ruas, as emissões televisivas, os artigos, etc.). Dessa maneira, pode-se dizer que os agentes não humanos fizeram revolução, tanto como os humanos. Como pensar revoluções sem imagens, armas, propagandas, sem rádio, imprensa, e atualmente as redes sociais? Exemplos brasileiros são  as manifestações contra o impeachment da presidente Dilma, organizadas através do facebook  que mobilizou um número alto de pessoas em todo país. E também manifestações contrárias ao Escola sem Partido em redes sociais e  com um abaixo assassinato.

Hacktivismo  como forma de amplificação da educação

Segundo o pesquisador Stefan Wray, em 1998, surge uma importante expressão do ciberativismo, o “hacktivismo”. Nessa época em quase todo todos os continentes  é provável  achar relatos de hacktividade como o de um jovem hacker britânico, conseguiu acessar por volta de 300 sites e inseriu um texto e imagens antinucleares.

O hacktivismo contém como ação principal a obtenção de maior transparência dos dados públicos, através do compartilhamento desses dados, desse conhecimento. Em geral na ética hacker encontra-se a ideia de que as informações, inclusive o conhecimento, não devem ser propriedade de ninguém e sim compartilhada.Sérgio Amadeu explica que a ideia de compartilhamento do conhecimento “maximiza o desenvolvimento de bens por aproximar-se o máximo possível da exploração das potencialidades da rede e das características inerentes aos bens informacionais.” Os hackers apregoam que o futuro é aberto e que para criação de software de qualidade  a tendência da tecnologia é substituir a remuneração baseada na propriedade pela receita baseada nos serviços. Eles  utilizam dos dados abertos do governo e transformam em aplicativos abertos, por exemplo, para servir como consultas . É um trabalho de cooperação, de compartilhamento de conhecimento e de transformação da educação, ao contrário do que presumem.

Existe uma grande conotação negativa com o termo “hacker”, que é ligado a pessoas que se utilizam de dados como forma de crime. Há uma diferença acentuada em ser um hacker, indivíduo que elabora e modifica softwares e hardwares de computadores, com finalidade de  criar novas funcionalidades ou adaptar as já existentes, do  cracker que deve ser o termo usado para designar quem pratica a quebra (ou cracking) de um sistema de segurança, que é considerado crime.

capture-20160903-032911

Os hackers possuem sua própria ética  que tem como primeiro valor a paixão, desenvolver algo em que se sinta  desafiado e realizado e compartilhar o seu aprendizado para outras pessoas, criando uma grande rede de conhecimento, de educação. Eles também se organizam nos chamados Floss (free libre open source software) , comunidades de hackers que “desenvolvem programas de computador com o código fonte aberto e com licenças de propriedade permissivas que permitem usar, copiar, estudar completamente, melhorar e distribuir as mudanças realizadas no software.” Como resultado o hacktivismo formam indivíduos mais autônomos e colaborativos em relação ao conhecimento e cria uma nova forma de resistência, sem finalidade de destruir a tecnologia, mas de reconfigurar e superar o controle imposto pela tecnologia.

Na educação, é necessário realizar algo inspirado na ética racker, descentralizar a informação, e renovar as práticas pedagógicas, criar, ensinar e incentivar criação e uso de novas plataformas para produção e disseminação do conhecimento. O futuro mostra sinais da importância do uso da internet como forma de ensino, porém ainda muitos educadores persistem em delegar negativamente as novas tecnologias, ao invés de utiliza-las ao seu favor, o que causa um grande desperdício de talentos. Quantos rackers as escolas tradicionais já perderam por falta de oportunidade para esses alunos de se apropriarem dos códigos?

Poucas são as iniciativas para desenvolvimento do hacktivismo em sala de aula. Uma destas, que tem como finalidade aliar a capacidade de criação dos alunos com um modelo de ensino que fomenta esta criatividade é o Hackathon Dados da Educação Básica. É realizado pelo INEP, uma maratona para hackers com intuito de estimular pessoas a utilizar a criatividade e as tecnologias para criação de projetos e serviços sobre dados de interesse público para melhorar a educação no país através da disseminação das informações educacionais. Os participantes  utilizam dados de avaliações oficiais do Inep/Prova Brasil para desenvolver softwares como sites, aplicativos de celular, gráficos interativos. A primeira maratona, por exemplo, teve como vencedor um aplicativo que possibilita uma escola escolher os critérios que deseja ser analisado e relacionar os indicadores com outras instituições, com médias municipais, estaduais e federais.Para desenvolver os programas, as equipes vencedoras receberam,  R$ 5 mil (o primeiro lugar), R$ 3 mil (o segundo lugar) e R$ 2 mil (o terceiro lugar).

capture-20160903-031104

Projeto ganhador do primeiro Hackathon Dados da Educação Básica. Foto: divulgação.

Outra experiência realizada por um grupo de pesquisadores de Passo Fundo, interior do Rio Grande do Sul, foi uma oficina em uma escola municipal da cidade. No período de três tardes, sete estudantes que cursavam a oitava série do ensino fundamental foram incentivadas a usar o Hackasaurus, ferramenta da Mozilla utilizado para editar e criar sites de forma simples e dentro dos valores da “ética hacker” principalmente a do compartilhamento e colaboração.O resultado foi bastante positivo, visto que  alguns estudantes concluíram suas tarefas entendendo todo o processo do que foi feito e, além disso, compartilharam o conhecimento adquirido com os colegas e até produziram conteúdo além do solicitado e outros entenderam e apresentaram os valores da ética hacker. Diate disso, é perceptível a grande capacidade que alunos de educação básica tem em criar e compartilhar quando existe o estimulo para o desenvolvimento dessa competência. Formando rackers nas escolas, o mundo acaba se tornando mais criativo e a educação mais acessível.

Para fazer parte dessas comunidades, qualquer pessoa pode localizar um hackerspace, que são lugares onde pessoas com interesses comum, discutem, estudam e criam tecnologias, novos projetos. Na cidade de Salvador, como exemplo, existe o O Raul Hacker Clube, localizado no Rio Vermelho.

REFERÊNCIAS:

SILVEIRA, Sergio Amadeu. Ciberativismo, cultura hacker e o individualismo colaborativo. Revista da USP, n. 86, 2010. 

http://olhardigital.uol.com.br/fique_seguro/noticia/qual-a-diferenca-entre-hacker-e-cracker/38024

http://www.comunicacao.pro.br/setepontos/7/etihack.htm

Things (and People) Are The Tools Of Revolution!

http://www.techtudo.com.br/artigos/noticia/2013/07/fisl14-palestra-discute-etica-hacker-dentro-da-sala-de-aula.html

http://www3.eca.usp.br/noticias/mario-pireddu-fala-sobre-tica-hacker-na-educa-o

http://educacao.estadao.com.br/noticias/geral,projeto-escola-que-queremos-ganha-maratona-hacker,1021339

 

Redes sociais e a aprendizagem colaborativa

Mais de 12 milhões de brasileiros acessam ferramentas de educação pela Internet, segundo dados do Aprenda Online, plataforma construída pela Fundação Lemann, organização sem fins lucrativos que visa apoiar e desenvolver projetos inovadores na área de educação.

Entre ferramentas educativas nacionalmente conhecidas e utilizadas para difusão de conhecimento como a página YouTube Edu com videoaulas e simulados, Khan Academy, maior site de matemática do mundo com exercícios e vídeos de instrução proporcionando suporte ao aprendizado do estudante e a Coursera, plataforma online e aberta que oferece cursos de instituições como a Universidade de São Paulo e Universidade de Campinas,  surgem redes sociais de aprendizagem colaborativa.

Aprendendo em conjunto: processos e personagens dentro das redes sociais

Propondo a construção coletiva de conhecimento, a aprendizagem colaborativa pressupõe uma interação entre os indivíduos dentro do ciberespaço. Corroborando com o princípio do capital social, essa forma de aprendizagem estrutura-se pela utilização de um conjunto de recursos por parte de um grupo baseando-se na reciprocidade e desencadeando em um consenso, observado no caso, através do conteúdo gerado.

Dentro desse processo o indivíduo atua como agente. Esses indivíduos envolvidos na rede analisada são chamados de atores, ou seja, pessoas que utilizam-se dessas programas educativos e estão presentes no ciberespaço através de representações dos atores sociais. Com ferramentas que exploram a construção identitatária de cada pessoa, essas representações possibilitam a expressão de elementos individuais característicos e a expressão do seu pensamento na Internet.

Ubuntu

Lançado no dia 10 de dezembro de 2015, dia internacional dos direitos humanos, a rede social Ubuntu é uma rede colaborativa com o objetivo de conectar pessoas através da colaboração e multiplicação de ideias. Proposto pelo Desabafo Social, coletivo soteropolitano que trabalha com educação e comunicação em direitos humanos com jovens e adolescentes, a rede permite a cocriação de conteúdo através da wiki (páginas interligadas que podem ser visualizadas e editadas por qualquer pessoa), biblioteca online, divisão de tarefas e calendário.

A rede social, além de permitir a construção de perfis e páginas correlatas com os gostos dos seus proprietários, possibilita a interação social entre os atores e a publicação de opiniões e conhecimento. “Ubuntu é uma rede de aprendizagem colaborativa onde as pessoas podem compartilhar aquilo que sabem e aprender aquilo que desejam”, afirma Monique Evelle, graduando no Bacharelado Interdisciplinar em Humanidades com ênfase em Política e Gestão da Cultura pela Universidade Federal da Bahia e fundadora do Desabafo Social.

A interação social, no âmbito do ciberespaço, pode dar-se de maneira síncrona, com simulação de interação em tempo real, ou assíncrona, sem expectativa de resposta imediata, como aponta Raquel Recuero, jornalista, professora e pesquisadora do Programa de Pós-graduação em Letras e do curso de Comunicação Social da Universidade Católica de Pelotas no livro Redes Sociais na Internet.

Dessa forma, podemos presumir a importância da permanência do conteúdo publicado através das páginas ou perfis pessoais nas interações sociais cibernéticas. Assim, os comentários, como exemplo figurativo de ferramentas, continuam nas plataformas até que sejam apagados pelos atores autorizados a administração do conteúdo.

Segundo Recuero, as interações podem ainda acontecer de forma mútua no qual cada integrante participa da construção da relação afetando-se mutuamente, ou reativas, limitadas por relações de estímulo e resposta, como acontece quando um ator clica em um hiperlink ou simplesmente segue uma pessoa na rede social.

“As pessoas seguem umas as outras de acordo com suas áreas de interesse. Ou seja, eu quero aprender mais sobre história do Brasil, então seguirei uma pessoa que está disposta a passar esse conhecimento”, aponta Monique sobre a dinâmica da rede.

Assim, as interações na rede social, podem ser acadêmicas, pessoais ou profissionais, gerando relações variadas através da troca de diversos tipos de informação em diferentes tempos e espaços. No caso da rede social Ubuntu, além de fomentar a conexão entre as pessoas, essas interações também cumprem com o objetivo de construir e compartilhar conhecimento online e em conjunto.

Referências: 

Artigo A Aprendizagem Colaborativa no Ensino Virtual

Desabafo Social

Ministério da Educação

Redes Sociais na Internet, Porto Alegre, Sulina, 2009.

Ubuntu

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.

Acima ↑